Lula cobra respeito à soberania dos países e defende cooperação internacional no combate ao crime durante reunião do G7

 

Presidente brasileiro afirmou que o enfrentamento ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas deve ocorrer sem violar a autonomia dos Estados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (17) o fortalecimento da cooperação internacional no combate ao crime organizado, ressaltando que as ações devem respeitar a soberania dos países. A declaração foi feita durante a reunião ampliada do G7, realizada em Évian, na França, que contou com a presença de líderes das principais economias do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Durante sua participação no painel “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, Lula destacou que os crimes transnacionais precisam ser tratados como parte da agenda global de desenvolvimento, devido aos impactos que causam nas comunidades e nas finanças públicas.

Segundo o presidente, organizações criminosas comprometem a segurança da população e desviam recursos que poderiam ser investidos em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

“O crime organizado aterroriza comunidades e drena recursos que poderiam financiar escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, afirmou.

Combate ao narcotráfico deve incluir outras frentes

Lula classificou como positiva a Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas, mas alertou que o problema não pode ser enfrentado de forma isolada.

“O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”, declarou.

O presidente também defendeu a ampliação da cooperação entre governos e organismos internacionais, citando a INTERPOL como ferramenta importante para localizar ativos financeiros e indivíduos ligados a atividades criminosas.

“Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da INTERPOL, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”, disse.

Críticas ao cenário econômico global

Em seu discurso, Lula ampliou o debate para questões econômicas e sociais. O presidente afirmou que, apesar das diversas cúpulas internacionais realizadas nas últimas décadas, os líderes mundiais ainda não conseguiram construir soluções duradouras para os desafios globais.

Ele criticou políticas econômicas baseadas na desregulamentação dos mercados, no Estado mínimo e na austeridade fiscal, argumentando que essas medidas contribuíram para o aumento da desigualdade e da instabilidade política em diversas democracias.

“Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, afirmou.

Desigualdade e desenvolvimento sustentável

Lula destacou que a distância entre os países mais ricos e as nações em desenvolvimento continua aumentando. Segundo ele, o mundo está se afastando das metas previstas na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente afirmou que faltam cerca de US$ 4 trilhões por ano para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam alcançados e defendeu a ampliação do financiamento climático global para pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais, como forma de acelerar a implementação do Acordo de Paris.

Ele também demonstrou preocupação com a redução da ajuda internacional ao desenvolvimento. De acordo com Lula, a ajuda oficial aos países mais pobres caiu 23% no último ano, enquanto organismos internacionais sofreram cortes significativos em seus orçamentos.

Segundo o presidente, o Programa Mundial de Alimentos perdeu aproximadamente 40% de seu financiamento, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF registraram reduções superiores a 20%.

“Não são cifras abstratas”, ressaltou.

Defesa de novo modelo financeiro internacional

Lula também criticou o atual sistema financeiro global, afirmando que muitos países em desenvolvimento enfrentam dificuldades para conciliar o pagamento de dívidas com investimentos sociais.

O presidente lembrou que os gastos militares mundiais se aproximam de US$ 3 trilhões por ano, enquanto os países em desenvolvimento transferem cerca de US$ 1,4 trilhão anualmente para o pagamento de suas dívidas.

Entre as alternativas apresentadas, Lula defendeu mecanismos como a troca de dívida por investimentos ambientais e sociais, permitindo que países vulneráveis ampliem sua capacidade de investimento.

Tecnologia e transição energética

Ao abordar o tema da inovação, Lula afirmou que o acesso à inteligência artificial e às novas tecnologias deve fazer parte das estratégias de desenvolvimento global.

O presidente defendeu que a transição energética e a transformação digital não repitam padrões históricos de concentração de riqueza e poder econômico.

Segundo ele, países que possuem minerais estratégicos para a nova economia devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da qualificação de mão de obra.

Lula também apresentou iniciativas lideradas pelo Brasil, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a Aliança Global contra a Fome, que buscam promover a preservação ambiental e reduzir desigualdades sociais em escala internacional.

Com informações do Brasil 247.

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Editor Ourinhos Online