Artigo de Leonardo Sakamoto questiona narrativa de vitória dos EUA em acordo com o Irã
O jornalista Leonardo Sakamoto publicou uma análise em suas redes sociais e em sua coluna no UOL na qual questiona a narrativa de vitória apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao recente acordo envolvendo o Irã.
Segundo Sakamoto, embora Trump tenha apresentado o encerramento do conflito como uma conquista pessoal, os termos do memorando divulgado pelo jornal norte-americano The New York Times indicariam que Teerã foi o principal beneficiado pelas negociações.
De acordo com a análise, o acordo prevê um plano de reconstrução de pelo menos US$ 300 bilhões para o Irã, a liberação de aproximadamente US$ 24 bilhões em ativos congelados, a retomada das exportações de petróleo e o compromisso de desmontar sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pelos próprios Estados Unidos.
Em contrapartida, o Irã reafirmaria o compromisso de não desenvolver armas nucleares, mas sem entregar seu material enriquecido ao exterior e sem aceitar, neste momento, regras mais rígidas relacionadas a inspeções internacionais e ao futuro de suas instalações nucleares.
Na avaliação de Sakamoto, caso os termos sejam ratificados pelas duas partes, o país que sairia das negociações com mais recursos financeiros, menos restrições e maior autonomia seria justamente o Irã. O jornalista afirma que os detalhes do memorando contrastam com o discurso público de vitória adotado por Trump.
O articulista também mencionou declarações do presidente norte-americano durante a cúpula do G7, realizada na França. Questionado por jornalistas sobre um bombardeio que atingiu a escola infantil Shajarah Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã, e que teria deixado 175 mortos, a maioria crianças, Trump respondeu que “erros acontecem” e que “ninguém fez isso de propósito”, segundo relato reproduzido por Sakamoto.
A íntegra da análise está disponível na coluna do jornalista no portal UOL.
Fonte: Leonardo Sakamoto, coluna publicada no UOL e reproduzida em publicação nas redes sociais do jornalista.
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