Antes do Limiar – Por Paula Hammel
Certas forças não se anunciam; condensam-se.
A quietude é véu operante. Sob ele, o cálculo amadurece sem testemunha.
Na tessitura da matéria, contato não aproxima; reconfigura. Estados traem a própria forma.
Uma centelha inaugura regime. O ar abdica de si e assume vocação de incêndio.
Também a história não relata; repercute.
Alexandre quis a medida do mundo. O mundo devolveu-lhe contornos.
Roma consentiu o capricho de Nero. A combustão instituiu verdade.
Bruno excedeu o céu permitido. A fogueira precedeu o juízo.
Sob aparência serena, acumulam-se tensões.
Equilíbrios são provisões de atraso, não de paz.
Sustentam até o ponto exato em que a própria sustentação se nega.
Quando cedem, não há governo, apenas consequência.
Compreender exige a arte da retração diante do limiar.
Persistir além dele é ingressar no irreversível.
Há presenças que solicitam apenas ocasião.
Cutuca, não.
Paula H’ammel
Apoie o Ourinhos.Online⬇️
https://apoia.se/ourinhosonline
