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Faleceu na manhรฃ desta 3ยช feira (22) Sergio Fleury Moraes editor e jornalista responsรกvel ย ย e fundador do โJornal Debateโ de Santa Cruz do Rio Pardo. ย Serginhoย como era conhecido tinha 65 anos e estava internado no Hospital Amaral Carvalho em Jaรบ, ele tinha cรขncer de pulmรฃo e nรฃo resistiu ao avanรงo da doenรงa.
A cidade de Santa Cruz e demais munรญcipios da regiรฃo perdem um dos mais conceituados jornalistas que por dรฉcadas esteve a frente de um dos mais importantes veรญculos de imprensa do interior paulista.
O Jornal โ Debateโ ย sempre foi pioneiro no exercรญcio do jornalismo profissional de Santa Cruz do Rio Pardo e regiรฃo. ร verdade que o jornal revolucionou a imprensa a nรญvel micro e macrorregional. Seu projeto ousado e original foi o que lhe garantiu a independรชncia ao longo de mais de 40 anos.
O semanรกrio foi sucessor de um pequeno jornal estudantil que circulou no inรญcio da dรฉcada de 1970 โ โO Furinhoโ โ, fundado por Sรฉrgio aos 13 anos de idade. โO Furinhoโ era mimeografado e vendido de casa em casa pelas ruas da cidade, alรฉm de distribuรญdo em escolas.
Fundado oficialmente em 1977, o Debateโ ย combateu o regime militar nos seus primeiros anos de vida e chegou a ser fichado, em 1979, no Ciex (Centro de Informaรงรตes do Exรฉrcito) como integrante da chamada โimprensa alternativaโ, que resistia ao regime de exceรงรฃo.
O Tiro de Guerra de Santa Cruz do Rio Pardo chegou a receber documentos oficiais do Exรฉrcito solicitando vรกrias informaรงรตes sobre o pequeno semanรกrio que incomodava o regime militar no interior paulista e fazia crรญticas ao governo municipal, sob domรญnio da Arena, partido de sustentaรงรฃo dos militares.
A partir de 1979, o Debate teve entre seus colaboradores alguns expoentes da polรญtica brasileira, como Fernando Henrique Cardoso, Fernando Morais, Flรกvio Bierrenbach, Josรฉ Aparecido e outros.
Em 1979, o entรฃo sociรณlogo Fernando Henrique โ que foi colaborador do jornal durante 10 anos โ foi palestrante em Santa Cruz num evento promovido pelo Debate. Naquela ocasiรฃo, o entรฃo suplente do senador Franco Montoro foi lanรงado como futuro candidato ร presidรชncia da Repรบblica, fato que se consolidaria nos anos 90, quando FHC deixou de assinar coluna no jornal.
Quando a ditadura ameaรงou jogar bombas em bancas de jornais que vendiam jornais da imprensa alternativa, o Debate participou, na Assembleia Legislativa de Sรฃo Paulo, de reuniรตes do โComitรช pela Liberdade de Imprensaโ para discutir a nova ameaรงa. Integravam o comitรช, entre outros, jornais como โPasquimโ, โVersusโ, โMovimentoโ.
O jornal sobreviveu ao regime militar, se engajou na campanha das โdiretas jรกโ e se consolidou com o advento da democracia. Resistiu ร concorrรชncia de publicaรงรตes financiadas por partidos polรญticos e grupos econรดmicos e, a partir de 1996, circulou durante um perรญodo como o รบnico jornal de Santa Cruz do Rio Pardo.
DEBATE foi pioneiro na adoรงรฃo de cores em suas pรกginas e no lanรงamento de suplementos especiais. Se em 1978 o jornal jรก ousava lanรงar um suplemento cultural, na dรฉcada seguinte houve vรกrios lanรงamentos, como o โDebate Ruralโ e suplementos infantis. Em 1995 surgiu o Caderno D, um suplemento destinado a difundir a cultura e o lazer na cidade e regiรฃo.
O primeiro site do jornal chegou ร internet em 2000, quando o Debate fez uma parceria com o UOL.
Com um jornalismo historicamente reconhecido, o Debate ganhou repercussรฃo nacional entre o fim dos anos 1990 e a primeira dรฉcada dos anos 2000, quando o diretor Sรฉrgio Fleury Moraes chegou a ir ao programa de Jรด Soares para falar sobre polรชmicas envolvendo seu veรญculo de comunicaรงรฃo.
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Foi tambรฉm em Santa Cruz do Rio Pardo que aconteceu o pontapรฉ inicial para que a antiga Lei de Imprensa, heranรงa da ditadura militar, fosse revogada. O fato aconteceu em 2009, e o convidado de honra para entregar o prรชmio โLiberdade de Imprensaโ em Brasรญlia foi ninguรฉm menos do que o prรณprio diretor do Debate.
Fonte: Debate
