Memória: Desgaste nas redes e busca por bases e união marcaram reflexão sobre os rumos da esquerda em aula pública de 2018

Entre os anos de 2016 e 2018, o movimento social denominado “Coletivo Geni”, composto por professoras e professores, alunas e alunos universitários(as), artistas, entre outros, organizou aulas públicas sobre temas pertinentes ao momento político. Havia ocorrido o golpichemant contra a presidenta Dilma Roussef e se desenhava a eleição de Jair Bolsonaro.

Acorriam aos denominados aulões grande diversidade de pessoas ligadas à esquerda de Ourinhos, incluindo sindicalistas, membros de partidos políticos e de organizações não governamentais, como pode ser conferido em registro publicado no YouTube passados oito anos. No vídeo em questão, podemos conferir a participação do saudoso Professor Marcos Correa.

É patente como as discussões realizadas nesse encontro permanecem perfeitamente atuais.

O debate contou com forte desabafo sobre o desgaste psicológico decorrente das discussões online. Participantesrelataram que a exposição constante a confrontos e discursos de ódio, agravados pela polarização, geramadoecimento e paralisia. Defenderam a necessidade de autopreservação, argumentando que tentar convencer interlocutores indispostos ao diálogo consome energias preciosas da militância.

Em contraponto à excessiva canalização de energia na internet, defendeu-se o resgate do trabalho presencial nas comunidades periféricas. Integrantes lembraram o papel histórico dos movimentos de base, como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas décadas de 1980 e 1990, na formação de lideranças com sólida consciência social.

A avaliação consensual foi a de que a atuação online deve servir apenas como complemento, e não substituto, da articulação territorial e direta com a população.

Apesar das críticas ao cenário daquele momento, visões otimistas emergiram durante a conversa. Foi levantadoque, a longo prazo, houve avanços significativos na sensibilidade social contra preconceitos, observando que certas posturas machistas ou racistas já não encontram o mesmo espaço de naturalização do passado.

Foi destacado que a deterioração das condições de vida faz com que a população periférica perceba concretamente o impacto das escolhas políticas. Contudo, fez-se o alerta: focar a disputa política exclusivamente na figura do Poder Executivo (como a Presidência da República) é um erro estratégico. O grupo ressaltou, na ocasião, que a perda de direitos e as pautas conservadoras avançam prioritariamente no Congresso Nacional, o que exige maior atenção na eleição do Legislativo.

Ao analisar a trajetória recente da esquerda no poder, o grupo debateu as fragilidades das conquistas sociais, muitas vezes estruturadas com foco no curto e médio prazo. As críticas direcionaram-se principalmente às alianças pragmáticas firmadas no passado com setores fisiológicos do centro e da direita, apontadas como determinantes para a subsequente perda de direitos e instabilidade política.

A conclusão das reflexões apontou para a necessidade de superação das divisões internas. Para as(os) participantes, o fortalecimento de frentes amplas, o foco na formação política contínua e a ocupação estratégica, tanto do ambiente virtual, quanto dos espaços físicos, são pré-requisitos fundamentais para garantir conquistas duradouras para trabalhadores e trabalhadoras.

Esse vídeo é um raro registro daqueles encontros e discussões. Lembra-nos da quão importante é a articulação capilarizada, menos dependente de instituições, mais horizontal. Em tempos tão individualistas, o encontro face a face, a troca de experiências e ideias tem uma potência que precisamos resgatar.

Link do vídeo: https://youtu.be/xzWHilOBouQ

Editor Ourinhos Online