O que são as diferentes profissões “psi”? – Por Luiz Bosco
A Psicologia como a conhecemos hoje surgiu na segunda metade do século 19, como uma tentativa de se compreender a mente humana a partir de uma perspectiva científica, não mais restrita à Filosofia
É uma ciência que abrange muitas linhas de pensamento, que vão buscar compreender o ser humano em seus diversos aspectos: seu pensamento, suas emoções, seu comportamento, entre outros aspectos. Com essa compreensão o(a) profissional pode ajudar o ser humano a ter uma vida mais harmoniosa consigo mesmo e com o mundo a sua volta.
Costuma causar confusão a diferença entre psicólogo, psicoterapeuta psicanalista, psiquiatra e psicopedagogo, denominações que são semelhantes devido a raíz grega “psi”, que significa alma ou mente.
O termo psicólogo ou psicóloga se refere a alguém graduado em Psicologia, com registro profissional no Conselho Regional de Psicologia da sua região. A formação em Psicologia leva, ao menos, cinco anos e é bastante ampla. Pode atuar na Educação, na Saúde, na Assistência Social, na área empresarial (conhecida como Organizacional e do Trabalho) ou pode atuar também no que denominamos de clínica. Essa prática envolve o atendimento mais conhecido pelo público leigo, que pode ser feito individualmente ou em grupo o psicólogo; envolve, também, avaliação psicológica, entre outras práticas.
Como exemplo da diversidade de atuação na Psicologia, eu, que escrevo esse artigo, sou psicólogo e trabalho, atualmente, na Unesp de Ourinhos. Minha função é cuidar da saúde ocupacional, ou seja, de quem trabalha no campus; mas envolve também o cuidado à saúde mental dos(as) alunos(as), auxiliar em questões de ensino-aprendizagem e inclusão. Acrescente-se que também trabalho com atendimentos privados, logo, também sou psicoterapeuta.
Psicoterapeuta é a denominação do(a) profissional que trabalha com o atendimento clínico. Simples assim: psicoterapeuta é quem trabalha com psicoterapia, ou seja, com uma teoria que oferece método para se trabalhar questões emocionais, cognitivas, comportamentais, existenciais, inconscientes, de forma sistemática. Não é apenas escutar, mas fazê-lo de uma forma organizada, baseada em teorias amplamente aceitas cientificamente e com técnicas que efetivamente auxiliem a pessoa atendida.
Psicanalista é denominação para quem tem formação em psicanálise e não necessariamente é psicólogo(a). Na Psicologia, há profissionais com formação psicanalítica que utilizam a teoria denominada psicanálise para desempenhar o seu trabalho.
Já psiquiatra é o(a) médico(a) que fez a especialização ou residência em Psiquiatria, o que o(a) capacita para trabalhar as questões da Saúde Mental, particularmente no que diz respeito à medicação. Prescrever e orientar a respeito do uso de remédios psiquiátricos é atribuição exclusiva dos profissionais da Medicina; nenhum outro profissional pode prescrever medicamentos nem alterar aquilo que foi prescrito, muito menos encerrar um tratamento medicamentoso.
O(a) profissional de psicopedagogia não necessariamente tem graduação em Psicologia. Pode ter qualquer formação, somada à especialização em Psicopedagogia. O foco do trabalho está nos problemas de aprendizagem.
Compreender essas diferenças auxilia quando se precisa buscar ajuda profissional. O importante é se assegurar de que o(a) profissional trabalha fundamentado em ciência, com o devido registro em conselho profissional.
Neste dia do(a) psicólogo(a), precisamos lembrar que práticas cientificamente fundamentadas fazem toda diferença na vida de quem procura ajuda. Não basta ser algo inócuo, alegando-se que “se bem não faz, mal também não faz”. Qualquer prática em Saúde tem que beneficiar o(a) paciente; é antiético oferecer algo que não seja amplamente reconhecido como efetivamente benéfico, levando a pessoa a perder tempo e dispender recursos, sem nenhum resultado.
Luiz Bosco Sardinha Machado Jr.
Psicólogo (CRP 06/96910) e palestrante.
