Risco de fuga motiva pedido de apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro
A divulgação de uma suposta reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acabou se transformando em mais um capítulo de desgaste político envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A viagem do parlamentar aos Estados Unidos, prevista para o próximo dia 25 de abril, motivou um pedido formal de apreensão de passaporte e bloqueio de bens apresentado à Polícia Federal sob a alegação de risco de fuga em meio às investigações sobre o escândalo do Banco Master.
A narrativa de que Flávio Bolsonaro teria agenda marcada com Trump começou a circular nas redes sociais por meio de influenciadores e aliados bolsonaristas, que afirmavam que o encontro aconteceria em Washington na semana seguinte. Entretanto, a própria Casa Branca tratou de esfriar a versão.
Questionado pela correspondente da GloboNews em Washington, Raquel Krähenbühl, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou que não havia “nenhuma atualização” sobre o suposto encontro. Segundo a jornalista, o governo americano não possuía informações oficiais sobre a agenda entre Trump e o senador brasileiro.
Ao deixar o Senado, Flávio Bolsonaro evitou esclarecer o assunto. Segundo relatos da imprensa nacional, o senador respondeu de forma irônica aos jornalistas, utilizando frases em inglês e debochando das perguntas relacionadas ao encontro com Trump e às agendas internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Escândalo do Banco Master aumenta pressão política
A viagem internacional acontece em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagem do The Intercept Brasil revelou áudios em que Flávio Bolsonaro aparece negociando um repasse de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar a produção audiovisual.
Segundo documentos e informações citadas em investigações da Polícia Federal, Flávio teria recebido cerca de R$ 61 milhões em transferências privadas durante o período em que o governo do Rio de Janeiro direcionou quase R$ 1 bilhão do Rioprev para fundos administrados pelo Banco Master.
As apurações investigam a suspeita de que parte desses recursos tenha beneficiado integrantes ligados à família Bolsonaro. A produtora responsável pelo filme também passou a ser alvo de suspeitas envolvendo possíveis práticas de lavagem de dinheiro e corrupção.
Para o professor e pesquisador de Relações Internacionais Ricardo Leães, ouvido pela Rádio Brasil de Fato, o momento representa um dos maiores desgastes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
Pedido de apreensão de passaporte
Diante da viagem aos Estados Unidos, o deputado federal Reimont apresentou uma representação formal pedindo a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, do deputado Mário Frias e do ex-governador Cláudio Castro.
O documento argumenta que há risco de fuga e possível prejuízo às investigações em andamento na Polícia Federal. Segundo o parlamentar, os investigados poderiam deixar o país em meio às apurações sobre o suposto esquema financeiro envolvendo recursos do Rioprev e do Banco Master.
A representação também solicita bloqueio de bens dos citados para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos caso irregularidades sejam confirmadas pelas investigações.
Estratégia de comunicação e repercussão
Analistas políticos avaliam que a divulgação da possível agenda internacional com Trump seria uma tentativa de recuperar espaço político em meio ao desgaste causado pelo escândalo financeiro.
Segundo Ricardo Leães, setores da própria direita têm aproveitado o momento de fragilidade para questionar a viabilidade da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, interlocutores ligados ao bolsonarismo afirmam que a articulação da viagem teria contado com apoio de Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos, além de contatos ligados ao Partido Republicano norte-americano. Apesar disso, até o momento não houve confirmação oficial da Casa Branca sobre qualquer reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump.
O caso segue repercutindo no cenário político nacional e pode ganhar novos desdobramentos conforme avancem as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
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