PF faz operação contra investigados ligados a Sóstenes Cavalcante por suspeita de desvio de cota parlamentar
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Galho Fraco II, para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes da cota parlamentar. A ação tem como alvo pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados.
Nesta etapa da investigação, o parlamentar não é alvo de mandados de busca e apreensão, embora tenha sido investigado em uma fase anterior da operação. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. Os alvos são três pessoas físicas — entre empresários e advogados — e duas pessoas jurídicas relacionadas aos investigados. Segundo a PF, não há assessores do deputado entre os alvos desta fase.
Suspeita de contratos fictícios
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de um esquema envolvendo agentes públicos, particulares e empresas para desviar recursos da cota parlamentar, verba destinada ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato, como passagens aéreas, hospedagem, alimentação, manutenção de escritórios, consultorias e aluguel de veículos.
Os investigadores afirmam que contratos de locação de veículos teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos públicos. A PF também apura suspeitas de lavagem de dinheiro e investiga se uma empresa de locação continuou recebendo recursos da cota parlamentar mesmo após ter sido dissolvida de forma considerada irregular.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam dinheiro em espécie em mais de um endereço, além de joias e valores escondidos dentro de um objeto decorativo que simulava um livro falso, localizado na residência de um advogado ligado ao grupo investigado, no Distrito Federal.
Segundo a corporação, também há indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode configurar fraude processual.
Investigação começou em fases anteriores
A Polícia Federal informou que a investigação teve início após diligências envolvendo assessores ligados a parlamentares. A análise de mensagens de celular, depoimentos e quebras de sigilo permitiu o avanço das investigações e deu origem às fases seguintes da operação.
Em nota enviada à CNN, Sóstenes Cavalcante afirmou que só irá se manifestar após ter acesso ao conteúdo da decisão judicial e das medidas adotadas pela Polícia Federal.
Dinheiro em espécie apreendido em 2024
A operação desta quarta-feira é um desdobramento da fase realizada em dezembro de 2024, quando foram cumpridos mandados contra Sóstenes Cavalcante, o deputado federal Carlos Jordy, além de assessores e advogados ligados aos parlamentares.
Na ocasião, a PF apreendeu mais de R$ 460 mil em dinheiro vivo em um endereço ligado a Sóstenes. O deputado afirmou que o valor era proveniente da venda de um imóvel e que o comprador optou por realizar o pagamento em espécie. Segundo ele, o dinheiro ainda não havia sido depositado devido à rotina intensa de trabalho. A Polícia Federal, no entanto, levantou dúvidas sobre essa versão.
As investigações também apontaram que assessores ligados a Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy movimentaram aproximadamente R$ 27 milhões de forma considerada suspeita. À época, Carlos Jordy negou qualquer irregularidade e classificou a operação como uma perseguição política.
Até o momento, não houve denúncia ou condenação definitiva dos investigados. O caso segue sob investigação da Polícia Federal e supervisão do Supremo Tribunal Federal.
Apoie o Ourinhos.Online⬇️
https://apoia.se/ourinhosonline
