Indicado por Bolsonaro, ex-chefe da Alfândega é apontado como líder de esquema bilionário no Rio
Um dos principais alvos da Operação Mare Liberum, deflagrada nesta terça-feira (28), é o auditor-fiscal Pedro Antônio Pereira Thiago, ex-delegado da Alfândega da Receita Federal no Porto do Rio. Ele figura entre os 17 servidores afastados por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção que pode ter movimentado bilhões de reais.
Pedro Thiago foi nomeado para o cargo em dezembro de 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, permanecendo na função até novembro de 2023, já na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo apuração divulgada pela TV Globo, havia pressão interna tanto para mantê-lo em posições estratégicas quanto contra sua substituição dentro do órgão.
As investigações indicam que o esquema teria facilitado a entrada irregular de mercadorias no país mediante pagamento de propinas, com movimentação estimada em pelo menos R$ 86,6 bilhões em cargas. O prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 500 milhões.
A operação foi conduzida pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal, e teve como foco crimes como corrupção, contrabando, descaminho e liberação irregular de cargas.
Durante o cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão, foram encontrados milhões de reais em espécie, além de dólares e itens de alto valor. Em um dos endereços, agentes apreenderam 54 garrafas de vinho avaliadas em cerca de R$ 700 cada. O dinheiro foi localizado na residência de uma auditora fiscal na Barra da Tijuca, enquanto valores em moeda estrangeira também foram encontrados em Niterói.
Além dos servidores públicos, a operação também atingiu despachantes e importadores. Ao todo, nove profissionais foram proibidos de atuar no Porto do Rio. A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 102 milhões em bens dos investigados.
As ações ocorreram em diferentes cidades, incluindo Rio de Janeiro, Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória (ES), e também envolveram estruturas como o Aeroporto do Galeão e a Superintendência da Receita Federal no estado.
De acordo com os investigadores, o grupo atuava liberando cargas sem a devida fiscalização ou com divergências entre o conteúdo transportado e as declarações oficiais. Em troca, servidores receberiam vantagens indevidas para facilitar o esquema.
Os envolvidos poderão responder por uma série de crimes, incluindo estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, contrabando, descaminho, sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.
A apuração contou com apoio da Corregedoria da Receita Federal e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e segue em andamento.
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