Coaf aponta movimentações atípicas e Virginia Fonseca entra na mira da Polícia Federal

A influenciadora digital Virginia Fonseca passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal após Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações consideradas atípicas em contas ligadas a empresas associadas ao seu grupo empresarial.

A apuração busca verificar a legalidade das operações financeiras, a origem dos recursos movimentados e a eventual ocorrência de crimes como lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e outras infrações financeiras.

Os documentos foram analisados durante os trabalhos da CPI das Bets, no Senado Federal, e também foram examinados pela revista Piauí, que divulgou detalhes da investigação.

CPI das Bets colocou influenciadora sob os holofotes

Virginia foi convocada pela CPI das Bets para prestar esclarecimentos sobre sua atuação na divulgação de plataformas de apostas esportivas e jogos online, setor que movimenta bilhões de reais no Brasil e vem sendo alvo de crescente fiscalização por parte das autoridades.

A influenciadora compareceu ao Senado acompanhada do então marido, o cantor Zé Felipe, e do advogado criminalista Michel Saliba. Ela contou com um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que pudessem incriminá-la.

A convocação ocorreu após a divulgação de informações sobre um contrato firmado entre Virginia e a empresa Esportes da Sorte. Segundo reportagem da revista Piauí, o documento previa uma cláusula apelidada de “cachê da desgraça alheia”, que permitiria à influenciadora receber uma porcentagem das perdas registradas pelos apostadores.

Durante o depoimento, Virginia negou ter recebido valores vinculados às perdas dos usuários.

“Nunca recebi um real a mais do que o contrato de publicidade que fiz por dezoito meses. Era um valor fixo. Se eu dobrasse o lucro, eu receberia 30% a mais da empresa, mas isso não chegou a acontecer”, afirmou.

Empresas ligadas a Virginia aparecem em relatórios

Um dos relatórios do Coaf menciona a Talismã Digital, empresa ligada a Virginia e Zé Felipe voltada ao mercado de mídias digitais.

Segundo o documento, entre março e setembro de 2024 a companhia recebeu R$ 22,4 milhões em créditos financeiros. Desse total, R$ 21,4 milhões foram transferidos via Pix e R$ 1 milhão por TED.

O principal remetente foi a empresa AMP Pay Marketing e Negócios, responsável por transferências que totalizaram R$ 17,7 milhões em cinco operações via Pix.

O Santander comunicou a movimentação ao Coaf após identificar que a empresa remetente estava registrada no Simples Nacional, regime destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O banco também apontou indícios de incompatibilidade entre a capacidade financeira da empresa e os valores movimentados.

Wepink também aparece nas comunicações

Outro relatório analisado envolve a Wpink Suplementos Nutricionais.

Entre janeiro e março de 2025, a empresa registrou movimentação de aproximadamente R$ 43,6 milhões em créditos e R$ 43,5 milhões em débitos.

O Mercado Pago informou ao Coaf que os valores observados não pareciam compatíveis com o faturamento mensal apresentado pela empresa.

Já o Itaú comunicou movimentações relacionadas à Savi Cosméticos S.A., razão social da marca Wepink. Segundo o banco, foram identificadas 190 operações de depósito em dinheiro realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2024, totalizando R$ 502 mil.

Especialistas apontam que depósitos fracionados costumam chamar a atenção dos órgãos de controle financeiro porque podem dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Defesa nega irregularidades

Os representantes das empresas negam qualquer irregularidade.

À revista Piauí, o advogado Felipe dos Santos de Paula afirmou que os R$ 17,7 milhões transferidos pela AMP Pay para a Talismã Digital correspondem a contratos publicitários regularmente firmados e declarados aos órgãos competentes.

Segundo ele, todas as operações tiveram emissão de notas fiscais e foram informadas às autoridades fiscais.

Já o advogado Dalmo Jacob do Amaral Jr., representante da Wepink, declarou que a empresa utiliza eventualmente mecanismos de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática considerada comum e legal no mercado.

Sobre os depósitos apontados pelo Itaú, a defesa informou que os valores correspondem às receitas obtidas diariamente pelos quiosques físicos da marca, que possuía 11 unidades em 2023 e 13 unidades em 2024.

Até o momento, Virginia Fonseca não foi acusada formalmente de qualquer crime. A investigação segue em andamento e busca esclarecer a natureza das operações financeiras identificadas pelos órgãos de controle.

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Editor Ourinhos Online