Brasil atinge maior IDH da história, mas desigualdade ainda preocupa, aponta ONU
O Brasil alcançou, pela primeira vez, o patamar de “muito alto desenvolvimento humano” no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Apesar do avanço histórico, o estudo alerta que o país ainda enfrenta profundas desigualdades sociais, raciais, regionais e de gênero.
O IDH é um indicador internacional que mede a qualidade de vida da população com base em três critérios principais: renda, educação e expectativa de vida. O levantamento mostra que o Brasil avançou nos três quesitos avaliados, consolidando sua melhor marca desde o início da série histórica.
Entre os indicadores, o destaque foi a educação. Em 2012, o índice educacional brasileiro era o mais baixo entre os três pilares do IDH, com pontuação de 0,679. Já em 2024, o número saltou para 0,798, tornando-se o segundo melhor desempenho nacional e registrando crescimento superior a 0,1 ponto no período.
Segundo especialistas do relatório, políticas públicas implementadas ao longo das últimas décadas tiveram papel decisivo nessa evolução. O Bolsa Família foi apontado como uma das principais iniciativas responsáveis pelo avanço educacional, especialmente por estimular a permanência de crianças e adolescentes nas escolas.
“Eu vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira, que começou fortemente no início do século 21, e que começa a produzir efeitos dez anos depois. É aí que há essa observação dos indicadores de educação que avançam”, afirmou a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do escritório do PNUD no Brasil.
O melhor desempenho brasileiro continua sendo na área da saúde. O indicador de longevidade, que já era considerado de nível muito alto em 2012 com pontuação de 0,829, chegou a 0,860 em 2024 — índice comparável ao de países desenvolvidos.
De acordo com a ONU, o Sistema Único de Saúde exerce papel fundamental nesse resultado, principalmente pela ampla cobertura de vacinação, atendimento público e programas de atenção básica.
Mesmo diante do avanço histórico, o relatório destaca que o desenvolvimento humano no Brasil ainda ocorre de forma desigual. Regiões mais pobres do país seguem com índices inferiores aos registrados em grandes centros urbanos, enquanto diferenças de renda e acesso à educação ainda afetam principalmente a população negra e as mulheres.
A ONU ressalta que o crescimento do IDH representa um avanço importante, mas reforça a necessidade de políticas públicas permanentes voltadas à redução das desigualdades e ampliação do acesso a oportunidades para toda a população brasileira.
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