Cidades Criativas da UNESCO Desinformação atrasa construção da “cidade do futuro” – I

– João Teixeira

Como estabelecer níveis de convivência civilizados, de forma que o cidadão usufrua de conforto, bem-estar, segurança, alegria em boa companhia, no cyberespaço urbano, sem sermos soterrados pela avalanche de desinformação e notícias falsas que proliferam nas plataformas e redes sociais?

Mais ou menos neste contexto, os ilustres painelistas do III Encontro Internacional das Cidades Inteligentes às CidadesMIL (Inovação, IA, Planeta e Sociedade) debateram no encontro realizado no Instituto de Psicologia da USP.

A ONU celebra o Dia Mundial da Criatividade e Inovação no dia 21 de abril, desde 2017.

O desafio global é concretizar o princípio de que a criatividade acompanha o crescimento social e econômico da Humanidade, mas enfrenta barreiras culturais e de educação para a construção de cidades saudáveis, inclusivas, antirracistas e equitativas.

Para tanto, estruturou o AM’L, projetos-pilotos; Cidades Universitárias; estratégias; metodologias; e a troca de experiências.

O debate multidisciplinar em torno das “cidades do futuro”, da UNESCO, juntou no painel da ECA-USP vários agentes de inovação, políticos, empresários [do mundo físico e digital, inclusive start ups], educadores (pesquisadores e alunos), artistas e agentes culturais, jornalistas, artistas, ONG e cidadãos comuns, embasados em pesquisas desenvolvidas pelo CR/ARCOM-USP e CIIDMIL-USP, entre outras entidades brasileiras e internacionais.

A mesa foi composta por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares; Alcione Balbino, especialista em diversidade e inclusão; Renata Ferrarezi, pesquisadora da USP; Tico Barreto, cineasta, ator e diretor audiovisual; Thobias da Vai-Vai, sambista, intérprete, referência do Carnaval paulistano; Selley Storino, secretária de Comunicação e Economia Criativa, da cidade de Santos; e José Trassi, ator da TV Globo, múltiplos filmes e peças teatrais e ator da Prime Vídeo.

Debate multidisciplinar

O espírito visionário do debate, complexo e multifacetado, envolve toda sociedade, Universidades, agências de fomento, órgãos públicos, políticos, pesquisadores, empresários e o mundo artístico e cultural, além dos cidadãos comuns da “democracia de massas”.

As “democracias de massas”, as nações mais populosas do planeta, como a Índia, China, Brasil, apresentam algumas características comuns, definiu o sociólogo italiano Domênico De Masi [autor de “O Ócio Criativo”] em seu livro “O Futuro Chegou” – Modelos de Vida Para Uma Sociedade Desorientada:

Perda da família e da identidade

“O rápido êxodo de grandes massas de camponeses para as cidades, impulsionado também pela explosão demográfica, obrigou-as a uma mudança radical e repentina em sua concepção de tempo e espaço, privou-as de sua antiga identidade, dissolveu-lhes os laços de família e desorientou-as, lançando-as à anomia, condenando-as à marginalização e deixando-as à mercê da criminalidade”

Os palestrantes abordaram o conceito de Cidades com Alfabetização Midiática e Informacional ou Cidades MIL (Media and Information Literacy), estratégia interdisciplinar desenvolvida pela UNESCO, pautada na comunicação social para a construção de espaços urbanos híbridos, físicos e digitais, que promovam o pensamento crítico e criativo, a inclusão de vulneráveis, sustentabilidade ambiental e uso ético e responsável da tecnologia e combate à desinformação (infodemia).

“A desinformação pode levar à morte de muitas pessoas” – como ocorreu durante a pandemia da Covid – e a redução de informação “incorreta e maliciosa” é o grande alicerce para englobar as inovações que uma cidade, de qualquer porte, pode receber e facilitar a vida do cidadão, tornando-a mais sustentável e feliz.

Editor Ourinhos Online