O IDEB PARANAENSE É UMA FARSA? TUDO INDICA QUE SIM! – Por ​Prof. Dr. Rodolfo Fiorucci

O resultado do IDEB é uma fraude. E quem acredita nele está sendo enganado.

Sim, é assim que começo esse artigo. É uma FRAUDE. Não porque o INEP/MEC tenha divulgados números mentirosos, mas porque a forma de construção dos resultados é pautada em manipulações e distorções que corrompem a avaliação feita pelo INEP, conforme inúmeras denúncias de professores, sindicatos, pais e estudantes que vivenciam a realidade da educação brasileira.

O governo do Paraná, apresentado como o 1º lugar no ranking, está abusando do marketing sobre esse resultado, especialmente em ano eleitoral. Contudo, para esclarecer a população paranaense sobre o IDEB e a fraude amplamente denunciada sobre seu resultado, preciso explicar rapidamente como é composta a nota final.

O IDEB é composto por nota na prova do SAEB (Sistema Avaliação da Educação Básica), que avalia APENAS Língua Portuguesa e Matemática, mais o Fluxo Escolar, que é basicamente a taxa de aprovação e reprovação. Daí se faz a média que compõe a média final.

Esse modelo corrompeu a já frágil educação brasileira, pois se tornou mecanismo de produção de índice para propaganda eleitoral, afastando a capacidade de medição real da qualidade educacional de um Estado. Por que digo isso? Há inúmeras denúncias de estratégias para inflar as médias do IDEB que nada têm a ver com a qualidade do ensino. Vou elencar as que o Paraná é acusado de usar:

1. Redução do ensino noturno. Ratinho Jr., governador do Paraná, reduziu a oferta de ensino noturno que atende o estudante trabalhador. Dessa forma, impede aquele estudante que precisa trabalhar de ter acesso à educação básica tradicional e elimina da média aqueles que, por não terem tempo para estudar como os outros, a fariam cair.
2. Há pressão sobre o corpo docente para que não reprove estudantes que não aprenderam, o que melhora o Fluxo Escolar, reduzindo drasticamente a taxa de reprovação do Estado. Há mães que falam da mudança de notas no sistema de forma “mágica”, saltando de 3,5 para 6 repentinamente.
3. A eliminação de matrículas de estudantes evadidos do sistema educacional, o que faz com que esse estudante nunca tenha existido “oficialmente”. Isso faz bombar o fluxo escolar, já que estudante evadido ou com muitas faltas faz cair a média do IDEB; e ele não mais aparece.
4. Conversão da educação em treinamento para realização de prova de múltipla escolha. Em vez de se preocupar em desenvolver qualidade educacional, competências intelectuais e capacidade de leitura crítica e científica do mundo, o currículo sofreu estreitamento, com redução dedisciplinas de várias áreas para focar apenas em Português e Matemática, pois apenas isso é avaliado no SAEB. Pouco importa, nesse currículo paranaense, o desenvolvimento integral do estudante, mas sim que ele consiga responder questões de múltipla escolha no estilo SAEB. Por isso, a cada 3 meses, a Prova Paraná é aplicada (uma espécie de espelho do SAEB), para treinar o estudante.
5. Estímulo à competição entre escolas, pois o modelo equivocado de divulgação do IDEB (por ranking), nutre uma cultura de disputa entre gestores escolares e entre Estados, para apresentarem melhores número e não melhor aprendizagem. Nesse quadro, vale tudo para bombar a média, inclusive porque há pagamento de bônus aos professores de escolas que “batem a meta”.

Professores e pais, que convivem com os jovens estudantes, sabem que o resultado do IDEB não representa a realidade educacional. Outra avaliação de larga escala, o PISA, que é internacional, revela isso, pois o Brasil está entre os piores do mundo. Mais que isso, o próprio ENEM expõe a mentira do IDEB, pois os estudantes paranaenses não reproduzem o mesmo desempenho em redação, ficando na média nacional. Estados do Nordeste e Sudeste lideram nesse quesito.

Por fim, ainda que fosse verdadeiro esse índice do IDEB, não há nada a comemorar, pois, mesmo com graves evidências de fraude, o índice é muito baixo. Mesmo com todas as estratégias mencionada acima, o IDEB do Paraná é o “menos pior” entre resultados ruins, não chegando a 6 pontos nos anos finais e ensino médio. E lembrem-se, para chegar a essas notas, o Fluxo Escolar é manipulado para inflar a média final.

Portanto, o que se deve fazer é mudar a forma de avaliação do IDEB, pois em vez de se mostrar uma ferramenta eficaz para desenvolvimento de políticas públicas, vem se tornando motivo de desestruturações de currículos e de piora de qualidade pedagógica em nome da quantidade de índices eleitoreiros.

As avaliações em larga escala por si só já são problemáticas porque estão longe de retratar o todo dos sistemas escolares, mas no caso do IDEB, isso já passou de qualquer limite, estimulando o descaso com a educação.

​Reitera-se aqui a ideia que abriu esse artigo. O INEP/MEC não tem culpa das prováveis distorções e fraudes que maculam o IDEB, no entanto, ignorar que isso acontece e continuar a aplicar esse modelo tal como está, é prestar um desserviço à educação brasileira, especialmente a pública, onde está o público que mais precisaria ter na educação um trampolim para melhoria de vida.

Editor Ourinhos Online