Ministro André Mendonça tem muito a explicar sobre sua paralisia em relação aos Bolsonaro – vem se mostrando a novidade mais envelhecida do STF Prof. Dr. Rodolfo Fiorucci

 

​André Mendonça, o ministro do Superior Tribunal Federal (SFT), aparece como muito rígido e isento na condução do processo do Banco Master. Mas será que é assim mesmo? A pergunta que não quer calar é: por que até agora não há nenhuma ação para investigar as relações nada ortodoxas entre família Bolsonaro, Banco Master, filme Dark Horse e fundo de investimentos relacionado a Eduardo Bolsonaro nos EUA?
​Mendonça se apresenta como a novidade dentro do STF, disputa espaço com o decano Gilmar Mendes, como ficou explícito no debate dessa semana sobre a transferência para prisão domiciliar do pai de Daniel Vorcaro. Mendonça foi duro, como aliás deveria ser. Agora, surge operação contra o senador Jacques Wagner, membro do Partido dos Trabalhadores, com imprensa na porta, tudo televisionado, com todo festival que marcou a operação Lava Jato. Mais uma vez, que se investigue e caso o senador seja culpado, que pague com muito rigor.
No entanto, quando se trata da família Bolsonaro, o ministro parece amolecer. Não fosse uma investigação de um órgão de imprensa, o Brasil não ficaria sabendo dos generosos e milionários repasses do Banco Master ao fundo de investimento que supostamente banca o filme de Bolsonaro. Aliás, repasses esses com direito a pedido direto do filho 01 (Flávio Bolsonaro) e à visita ao banqueiro em sua casa quando já com tornozeleira eletrônica.
Não parece estranho ao leitor que uma relação de tamanho montante financeiro (eram mais de R$150 milhões, dos quais mais de R$60 milhões foram efetivamente pagos) careça de qualquer preocupação do ministro Mendonça, que se vende como novidade? Indícios de irregularidades são tão explícitos que chegam a cegar; é aquele típico caso que você é obrigado a abrir investigação por excesso de provas. É fundo estrangeiro recebendo dinheiro, é família Bolsonaro ligada ao fundo, é ausência de contrato, é conta que não bate, é Instituto que produziu o filme Bolsonaro usando o mesmo fundo que o PCC, é confissão que o filme é para influenciar na eleição – o que configura confissão de caixa-dois não declarado -, é muita coisa absurda. Mas o ilibado e correto ministro do Supremo dorme em berço esplêndido.
Será que o ministro Mendonça não tinha acesso a esses áudios de Flávio Bolsonaro? Como não teria, se são tirados dos telefones de Vorcaro (que estão sob sua guarda). Se os tinha, por que não agiu? Se os tinha, por que os vazamentos eram seletivos, nunca chegando perto da família Bolsonaro. Se os tinha (e agora tem), por que operações só ocorrem com outros suspeitos?
A mim cabe estranhar essa delicadeza do ministro com a família de quem o colocou no STF, enquanto se mostra rigoroso com qualquer outro! E fique claro: aqui não se contesta o rigor com outros investigados – mais do que correto -, mas sim a condescendência com os “amigos”.
Seria mais do que bem-vindo um novo STF, cujas velhas práticas ainda não morreram; no entanto o novo, ainda sem força para nascer, envelhece no útero da esperança do brasileiro.

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Editor Ourinhos Online