Efeito Lula? Datafolha aponta aumento do otimismo dos brasileiros com a economia
Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha mostra que os brasileiros estão mais otimistas em relação ao futuro da economia do país. O levantamento, realizado nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 pessoas em 139 municípios, aponta crescimento na parcela da população que acredita em melhora econômica nos próximos meses e redução significativa entre aqueles que esperam uma piora do cenário.
Segundo os dados, 36% dos entrevistados afirmaram que a economia brasileira deve melhorar. Em março, esse índice era de 30%, o que representa um avanço de seis pontos percentuais. Já o percentual dos que acreditam em piora caiu de 35% para 26%, registrando uma redução de nove pontos.
Outros 32% avaliam que a situação econômica permanecerá estável, enquanto 6% disseram não saber responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Situação financeira pessoal também inspira confiança
Quando questionados sobre as próprias finanças, 51% dos entrevistados disseram acreditar que sua situação financeira irá melhorar nos próximos meses, mantendo o mesmo índice registrado em março. Já os que esperam uma piora passaram de 14% para 12%.
O levantamento revela ainda que o otimismo é mais forte entre pessoas com menor escolaridade, entre famílias com renda mensal de até dois salários mínimos e entre eleitores que pretendem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa presidencial.
Por outro lado, o pessimismo aparece com mais intensidade entre os entrevistados com maior nível de escolaridade, renda superior a cinco salários mínimos e entre aqueles que afirmam preferir o senador Flávio Bolsonaro (PL) para uma futura eleição presidencial.
Especialistas apontam fatores para melhora da percepção
Para economistas e cientistas políticos, a melhora das expectativas está relacionada a uma combinação de fatores econômicos e políticos. Entre eles estão os estímulos à economia promovidos pelo governo federal, programas de renegociação de dívidas, medidas voltadas ao consumo e o avanço de pautas defendidas pelo Executivo no Congresso Nacional.
O cientista político Rafael Cortez avalia que o cenário político mudou em relação ao início do ano, período marcado por notícias negativas relacionadas ao endividamento das famílias e à desaceleração econômica.
Já o economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, destaca que fatores internacionais também contribuíram para uma percepção mais positiva da economia, citando a redução de tensões geopolíticas e a melhora das expectativas do mercado global.
Presente ainda preocupa brasileiros
Apesar da melhora nas perspectivas para o futuro, a avaliação sobre a situação atual da economia segue predominantemente negativa. De acordo com o Datafolha, 45% dos entrevistados afirmam que a economia piorou nos últimos meses. O índice é praticamente igual ao registrado em março, quando era de 46%.
Por outro lado, 22% acreditam que houve melhora recente, enquanto 32% avaliam que a situação permaneceu igual.
Os números indicam que, embora a percepção sobre o presente ainda seja marcada por dificuldades econômicas, cresce entre os brasileiros a expectativa de que os próximos meses tragam um cenário mais favorável para o país.
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