Escolas cívico-militares: um retrocesso autoritário na educação pública
Começou a funcionar em São Paulo um modelo educacional que provoca preocupação, tristeza e indignação entre educadores e defensores da escola pública: as chamadas escolas cívico-militares. Apresentadas como solução para problemas históricos da educação, elas representam, na prática, um perigoso retrocesso pedagógico e social.
Sob o comando de militares aposentados, muitos sem formação adequada na área educacional, essas unidades passam a priorizar disciplina rígida e hierarquia em detrimento da liberdade de pensamento, da criatividade e da construção crítica do conhecimento. Há relatos, inclusive, de erros básicos de linguagem cometidos por gestores militares, o que levanta questionamentos sobre sua capacidade técnica para conduzir processos educacionais complexos.
Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas, culturais e sociais, impor um modelo único, centralizador e autoritário aos jovens é ignorar completamente os desafios contemporâneos da educação. Adolescentes vivem em uma realidade plural, diversa e dinâmica, que exige diálogo, reflexão, ciência e múltiplas possibilidades de aprendizado — não enquadramento ideológico ou comportamento padronizado.
Outro efeito perverso desse modelo é o aprofundamento da desigualdade social. Enquanto escolas particulares — com todos os seus limites — buscam oferecer projetos pedagógicos diversificados, atividades culturais e estímulo à autonomia intelectual, às camadas mais pobres da população é oferecida uma escola baseada na obediência, na vigilância e na padronização.
Cria-se, assim, uma divisão simbólica e concreta: para uns, a expansão da mente; para outros, a continência. Para uma parcela da juventude, incentivo ao pensamento crítico; para outra, o adestramento comportamental. Trata-se de um projeto que reforça a separação entre jovens pobres, classe média e jovens ricos, minando o princípio constitucional da educação como direito universal e instrumento de emancipação social.
A expansão das escolas cívico-militares não é apenas uma escolha administrativa equivocada. É uma opção política que transforma a educação pública em ferramenta de controle, e não de libertação. Ao invés de investir na valorização dos professores, na melhoria da infraestrutura escolar e em projetos pedagógicos inovadores, o Estado opta por um modelo que remete a períodos autoritários da história brasileira.
Diante disso, é fundamental que a sociedade civil, educadores, estudantes e famílias questionem e debatam esse projeto. Defender a escola pública é defender o futuro do país. Educação não pode ser instrumento de dominação; deve ser espaço de liberdade, pensamento crítico e construção coletiva do conhecimento.
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