Escolas Cívico-Militares no Paraná: denúncias de assédio sexual acendem alerta sobre militarização
Reportagem da BBC revela relatos de alunas sobre toques inadequados e comportamentos abusivos por parte de policiais militares no ambiente escolar. Casos, sob segredo de Justiça, reacendem debate sobre o modelo.
Uma investigação da BBC News Brasil trouxe à tona graves denúncias de assédio sexual praticado contra alunas de escolas cívico-militares no Paraná. Segundo a reportagem, meninas relataram ter sofrido toques inadequados e outros comportamentos abusivos por parte de policiais militares lotados no interior das instituições de ensino.
Os casos específicos estão atualmente sob investigação e correm em sigilo processual determinado pela Justiça. No entanto, as acusações lançam um sério alerta sobre os riscos da presença militar no cotidiano escolar, um modelo intensamente promovido durante o governo anterior e implementado no estado pelo governo de Ratinho Junior.
Para parlamentares e entidades que sempre se opuseram ao modelo, a reportagem confirma preocupações históricas. “Essas denúncias reforçam o que alertamos desde o início: militarizar escolas não é política de educação, é risco”, afirmou um mandato parlamentar crítico à iniciativa. “Desde a implantação desse modelo, afirmamos com firmeza que a escola precisa ser espaço de cuidado, aprendizagem e proteção. Quem educa é professor. Disciplina não pode significar medo, silêncio ou violação de direitos.”
A defesa de uma educação pública, laica, democrática e segura tem sido uma bandeira central de opositores ao programa. “Seguimos em alerta e acompanhando de perto os desdobramentos dessas denúncias, que infelizmente vêm se tornando recorrentes”, completou a fonte parlamentar. “Proteger crianças e adolescentes é prioridade absoluta. Escola não é quartel.”
As denúncias colocam em xeque a principal promessa do modelo cívico-militar, que é a de proporcionar um ambiente de maior segurança e disciplina. Agora, questiona-se se a estrutura hierárquica e a presença de agentes de segurança armados podem, na verdade, inibir a denúncia de abusos e criar ambientes propícios a novos tipos de violência.
A Secretaria de Educação e a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, responsáveis pela gestão conjunta do programa, foram procuradas pela reportagem original e devem se manifestar sobre as medidas a serem tomadas diante das investigações. A sociedade aguarda respostas e ações concretas para garantir que a escola cumpra, de fato, seu papel de ambiente protegido para o desenvolvimento integral dos estudantes.
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