Trump admite interferência na Fifa, critica árbitro brasileiro e caso gera reação da Bélgica

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pediu pessoalmente à Fifa a revisão da suspensão do atacante Folarin Balogun, da seleção norte-americana, e disse ter sido o responsável pela mudança que liberou o jogador para as oitavas de final da Copa do Mundo.

Balogun havia sido expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina, após o árbitro brasileiro Raphael Claus revisar no VAR um lance de pisão no tornozelo de um adversário e aplicar o cartão vermelho direto. Pela regra, o atacante cumpriria suspensão automática no jogo seguinte.

Durante um evento, Trump declarou que conversou com um dirigente da Fifa, sem citar diretamente o presidente da entidade, Gianni Infantino, e afirmou que foi ele quem conseguiu reverter a punição.

“Sim, eu pedi uma revisão à Fifa. Fui eu quem os fez fazer isso. Não foi o Biden. O Biden estava dormindo”, disse o presidente norte-americano.

Trump também atacou o árbitro brasileiro Raphael Claus, chamando-o de “suspeito”, mas sem apresentar qualquer prova para sustentar a acusação. A declaração provocou reação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que divulgou uma nota em defesa do árbitro.

Segundo a entidade, Raphael Claus possui “excelência técnica, conduta ética e respeito ao futebol” e tem uma carreira construída com base em avaliações positivas e confiança das principais competições nacionais e internacionais.

Fifa volta atrás

Na tarde de domingo, a Fifa anunciou a suspensão da punição automática aplicada a Balogun. A decisão foi tomada com base no artigo 27 do regulamento disciplinar, que permite suspender a execução de uma sanção em situações específicas.

Com isso, o atacante foi colocado em um período probatório de um ano. Caso cometa uma infração semelhante nesse período, a punição poderá ser aplicada.

Após o anúncio, Trump comemorou nas redes sociais.

“Obrigado à Fifa por fazer o que é certo e reverter uma grande injustiça.”

Bélgica contesta decisão

A mudança de última hora provocou forte reação da Federação Belga de Futebol (RBFA), adversária dos Estados Unidos nas oitavas de final.

A entidade informou que soube da liberação de Balogun pela imprensa e afirmou que não recebeu qualquer decisão fundamentada da Fifa antes da mudança.

Por isso, apresentou um recurso contestando a escalação do atacante e pediu explicações sobre o procedimento adotado pela entidade.

Segundo a federação belga, a própria Fifa transformou o pedido de esclarecimentos em um recurso formal e estabeleceu um prazo de poucas horas para complementação da documentação, o que, na avaliação da RBFA, contraria o regulamento da competição.

O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, afirmou que a medida busca preservar a credibilidade da Copa do Mundo.

“A Federação Belga não está apenas defendendo a seleção. Está defendendo o futebol como um todo.”

Mesmo com a contestação, Balogun foi liberado para enfrentar a Bélgica, e o caso passou a dominar os bastidores da Copa do Mundo, levantando questionamentos sobre a independência das decisões da Fifa após a confirmação de que o presidente dos Estados Unidos atuou diretamente para pedir a revisão da punição.

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Editor Ourinhos Online