Damares falta a encontro de mulheres conservadoras e crise amplia racha na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) não participará do encontro de mulheres conservadoras organizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcado para esta quarta-feira (1º), em Brasília. A ausência ocorre em meio ao agravamento das divergências dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aumenta os sinais de desgaste na articulação da pré-candidatura presidencial de Flávio para 2026.
Segundo informações divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Damares ficou insatisfeita com ataques promovidos por aliados de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, direcionados tanto a ela quanto à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A crise ganhou força após Michelle divulgar um vídeo de cerca de 27 minutos, no qual relatou desentendimentos com Flávio Bolsonaro e criticou a condução de negociações internas envolvendo os palanques estaduais do Partido Liberal (PL).
Convite para colaborar com plano de governo
Damares havia sido convidada para colaborar com propostas voltadas às áreas de direitos humanos e assistência social na elaboração do plano de governo da pré-campanha de Flávio. O convite foi feito por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Bolsonaro e apontada como possível candidata à vice-presidência na chapa.
A estratégia buscava fortalecer a imagem da candidatura junto ao eleitorado feminino, segmento considerado um dos principais desafios para a campanha.
Ao ser questionada por jornalistas na terça-feira (30), durante sua chegada ao Senado, Damares confirmou que não compareceria ao encontro.
“Não vou. Acho que a Michelle também não”, afirmou a senadora.
Tereza Cristina também deve ficar de fora
Além de Damares e Michelle Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), outro nome cotado para integrar uma eventual chapa presidencial como vice, também deve se ausentar do evento.
Caso as ausências se confirmem, a reunião deverá contar principalmente com parlamentares alinhadas diretamente ao núcleo mais fiel de Flávio Bolsonaro, como as deputadas federais Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC).
Nos bastidores, aliados avaliam que o encontro poderá perder seu objetivo inicial de ampliar o diálogo com eleitoras conservadoras moderadas e mulheres de centro.
Ataques nas redes ampliaram tensão
O desgaste aumentou após manifestações do jornalista e influenciador Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro.
Em publicação nas redes sociais, Figueiredo ironizou a declaração de Damares de que ainda estaria “orando” para decidir sobre sua participação no encontro.
Na postagem, comparou a situação com uma eventual mobilização em torno da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).
Damares respondeu defendendo sua atuação junto ao movimento conservador e convidou Figueiredo para uma conversa em seu gabinete, em Brasília.
O comentarista voltou a criticá-la, sugerindo que a senadora teria se afastado das pautas defendidas por parte da direita relacionadas ao Supremo Tribunal Federal.
Em outra manifestação, Paulo Figueiredo também gerou repercussão ao afirmar que “mulher vota muito mal”, declaração que provocou reações entre lideranças conservadoras.
Michelle deixa comando do PL Mulher
Paralelamente ao conflito, Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência do PL Mulher após reunião com Valdemar Costa Neto.
Após a decisão, Damares divulgou nota pública em apoio à ex-primeira-dama, afirmando que Michelle possui “uma causa, e não um projeto de poder”.
Segundo a senadora, o trabalho realizado por Michelle à frente do segmento feminino do partido continuará sendo desenvolvido pelas demais lideranças conservadoras.
Racha desafia estratégia eleitoral
O afastamento simultâneo de Michelle Bolsonaro, Damares Alves e Tereza Cristina representa um desafio para a estratégia política de Flávio Bolsonaro.
As três lideranças figuram entre os principais nomes femininos do campo conservador e eram consideradas peças importantes para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, maioria entre os eleitores brasileiros, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Com isso, o encontro desta quarta-feira passa a ser observado como mais um indicativo das divisões internas entre lideranças do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e poderá servir como termômetro da capacidade de articulação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro nos próximos meses.
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