Aliado de Flávio Bolsonaro, Skaf pede ação do governo Lula contra nova taxação anunciada por Trump
Presidente da Fiesp defende atuação rápida do governo federal para evitar prejuízos às exportações brasileiras após proposta dos Estados Unidos
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, divulgou nesta terça-feira (2) uma nota oficial solicitando uma atuação rápida do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o país.
A medida foi anunciada pela gestão do presidente norte-americano Donald Trump e ocorre menos de uma semana após um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e representantes da Casa Branca. Nas redes sociais, críticos da proposta passaram a se referir à possível taxação como “TariFlávio”.
A iniciativa dos Estados Unidos está baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado para investigar e responder a práticas consideradas desleais no comércio internacional. A proposta ainda depende de decisão final da presidência norte-americana para entrar em vigor.
Em nota, a Fiesp afirmou que a diplomacia empresarial já desempenhou papel importante na negociação de exclusões de determinados produtos da lista de sobretaxação, mas destacou a necessidade de uma atuação mais incisiva do governo brasileiro.
“A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho”, afirmou Skaf.
A entidade também declarou acompanhar com “profunda preocupação” o relatório preliminar divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), avaliando que a proposta pode causar impactos negativos às relações comerciais entre os dois países e à competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
No comunicado, a Fiesp reiterou seu compromisso em colaborar com as autoridades brasileiras e afirmou que continuará atuando por meio da diplomacia empresarial para tentar reverter ou minimizar os efeitos das medidas propostas.
Atuação política e debate sobre a escala 6×1
Além da discussão envolvendo o comércio exterior, Paulo Skaf tem atuado em pautas internas relacionadas ao mercado de trabalho. O empresário mantém interlocução com Flávio Bolsonaro e participou, em fevereiro deste ano, de um almoço com o senador para discutir temas ligados ao setor produtivo nacional.
Recentemente, Skaf também se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para debater propostas relacionadas à legislação trabalhista. Entre os temas discutidos está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê alterações na jornada de trabalho atualmente conhecida como escala 6×1.
Durante o encontro, Skaf manifestou apoio à proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho, que prevê maior flexibilidade na contratação por hora trabalhada. Defensores da proposta argumentam que ela ampliaria as possibilidades de negociação entre empregadores e trabalhadores, enquanto críticos afirmam que a medida pode resultar em redução da renda de parte dos trabalhadores.
“Não queremos ter uma situação engessada no Brasil que não existe em nenhuma outra parte do mundo. A escala de trabalho depende de cada caso e setor”, declarou Skaf.
A possível taxação dos produtos brasileiros pelos Estados Unidos e o debate sobre mudanças na legislação trabalhista seguem entre os temas de maior repercussão no cenário político e econômico nacional, com impacto potencial sobre empresas, trabalhadores e exportadores brasileiros.
Apoie o Ourinhos.Online⬇️
https://apoia.se/ourinhosonline
