Sexta-feira Santa Por Paula Hammel

Não começa no madeiro, como se costuma resumir, mas à mesa, onde a convivência, por antiga, dá a ilusão de solidez e onde, com alguma elegância, cada um sustenta o papel que melhor lhe convém, até o instante em que já não convém sustentar coisa alguma.

Há, nesse ponto, um fenômeno curioso: ninguém se declara contra, mas quase ninguém permanece a favor; e assim, sem alarde, a lealdade se desfaz com a mesma naturalidade com que antes se afirmava.

O que se segue é conhecido e, ainda assim, repetido sem constrangimento: julga-se com pressa, decide-se com segurança, escolhe-se com aquela tranquilidade própria de quem não pretende rever o próprio gesto, porque rever daria trabalho, e trabalho raramente é bem-vindo quando a consciência pode descansar.

Não é a exceção que chama a atenção, mas a facilidade.

E talvez seja isso o que mais pesa nessa história: não o que aconteceu, mas a serenidade quase tranquila com que se permitiu que acontecesse.

Aos meus amigos,

que não sejamos quaisquer apóstolos, nem nos acomodemos em mesas onde a confiança já chega ferida, a dúvida circula sem nome e a presença de um traidor não basta para suspender o que deveria cessar.

Boa Sexta-feira Santa 🌟🙏🏻

Paula H’ammel

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Editor Ourinhos Online