Redução de salários e “bolsa patrão”: partido de Flávio Bolsonaro tenta frear fim da escala 6×1 na Câmara
A proposta que altera a jornada de trabalho no Brasil e pode pôr fim à escala 6×1 avançou na Câmara dos Deputados após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na última quarta-feira (22). Apesar disso, o projeto enfrenta resistência da oposição, especialmente do PL, partido ligado ao senador Flávio Bolsonaro, que articula medidas para dificultar sua aprovação.
O líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), condicionou o apoio ao texto à criação de mecanismos de compensação para empresários. Entre as propostas defendidas está a chamada “bolsa patrão”, que prevê algum tipo de subsídio governamental para empresas que seriam impactadas pela redução da jornada de trabalho.
Segundo o parlamentar, o avanço do projeto dependerá diretamente de concessões do Executivo. “Ou o governo abre o cofre para aprovar o texto ou vai ter muita dificuldade aqui na Câmara”, declarou.
A ideia de compensação não é inédita. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já havia defendido proposta semelhante, posteriormente apelidada de “bolsa patrão” pelo ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.
O próximo passo da tramitação será a instalação de uma comissão especial, prevista para os próximos dias por determinação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O colegiado será responsável por analisar o mérito da proposta e discutir possíveis alterações antes de encaminhá-la ao plenário.
Além da criação de subsídios, a oposição também defende mudanças no modelo de remuneração. Uma das alternativas em debate é o pagamento por hora trabalhada, proposta associada ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Nesse cenário, a redução da jornada poderia vir acompanhada de diminuição salarial.
Dentro do governo e da base aliada, especialmente entre integrantes do PT, há resistência à concessão de benefícios diretos às empresas, como desonerações fiscais. Ainda assim, interlocutores admitem a necessidade de negociação para reduzir a rejeição ao projeto no Congresso.
Entre as alternativas discutidas nos bastidores estão acordos setoriais e o uso de linhas de crédito do BNDES para apoiar empresas impactadas pela mudança na jornada de trabalho.
Paralelamente, parlamentares contrários à proposta estudam estratégias regimentais para atrasar a tramitação. Uma das possibilidades é utilizar o máximo de sessões de discussão permitidas — que podem chegar a 40 —, o que empurraria a votação final para o segundo semestre.
O debate em torno do fim da escala 6×1 expõe o embate entre diferentes visões sobre direitos trabalhistas e impactos econômicos, indicando que a proposta ainda deve enfrentar um longo caminho até uma eventual aprovação no plenário da Câmara.
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