R$ 12 por dia: vale-refeição de servidor paulista segue congelado há 8 anos e expõe desigualdade
Mesmo sendo o estado mais rico do país, o governo de São Paulo paga apenas R$ 12 por dia de auxílio-alimentação aos seus servidores. O valor está congelado desde fevereiro de 2018 e hoje vale menos do que um prato feito em muitas cidades paulistas.
O benefício foi fixado pelo Decreto nº 63.139, assinado em janeiro de 2018 pelo então governador Geraldo Alckmin. Desde então, nenhum dos governadores que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes — João Doria, Rodrigo Garcia e Tarcísio de Freitas — reajustou o valor.
Com 20 dias úteis por mês, o servidor estadual recebe cerca de R$ 240 mensais. Em São Paulo, onde o custo de vida é um dos mais altos do Brasil, esse valor não cobre sequer dez almoços simples.
Quem ganha acima de R$ 6 mil perde o benefício
Além do valor baixo, há outro problema: nem todos os servidores têm direito ao auxílio.
Atualmente, quem recebe mais de 164 UFESPs — o equivalente a R$ 6.071,28 em 2025 — perde automaticamente o direito ao vale-refeição. Na prática, isso exclui professores mais antigos, policiais civis, agentes fiscais e outros servidores que avançaram na carreira.
Quem acumula dois cargos públicos legalmente também pode ficar sem o benefício, porque o Estado soma os salários para calcular o limite.
Diferença entre Estado, prefeitura e governo federal chama atenção
A desigualdade fica ainda mais evidente quando se compara o valor pago pelo governo estadual com o da Prefeitura de São Paulo e do governo federal.
| Esfera | Valor mensal | Valor por dia (aprox.) | Ultimo reajuste |
| Estado de SP | R$ 240,00 | R$ 12,00 | Fev/2018 |
| Prefeitura de SP | R$ 560,80 | R$ 28,04 | 2024 |
| Governo Federal | R$ 1.192,00 | R$ 59,60 | Abr/2026 |
A Prefeitura de São Paulo paga mais que o dobro do valor do Estado. Já o governo federal paga quase cinco vezes mais.
Inflação corroeu o valor
Se os R$ 12 pagos em 2018 fossem corrigidos pela inflação até o fim de 2024, o auxílio deveria estar em R$ 17,33. Ou seja: o servidor perdeu mais de 30% do poder de compra em oito anos.
Enquanto isso, a cesta básica na capital paulista custou, em média, R$ 813,46 em 2024. Os R$ 240 mensais pagos pelo Estado cobrem menos de 30% desse valor.
Sindicatos cobram reajuste
A situação tem gerado revolta entre sindicatos e servidores. O sindicato dos funcionários do Centro Paula Souza, por exemplo, considera os R$ 12 “míseros” e defende um auxílio de R$ 1.500 por mês.
Na Assembleia Legislativa, parlamentares da oposição apresentaram um projeto para elevar o benefício para R$ 37,02 por dia, mesmo valor da UFESP em 2025. Mas a proposta depende da aprovação do governador, já que somente o Executivo pode reajustar o auxílio.
Escolha política
Para especialistas e representantes dos servidores, o congelamento do vale-refeição não é consequência de falta de dinheiro, mas de prioridade.
São Paulo tem a maior arrecadação do país, mas continua pagando aos seus servidores um dos menores auxílios-alimentação entre as três esferas de governo.
Enquanto isso, professores, profissionais da saúde, policiais e demais servidores seguem tentando almoçar em 2026 com apenas R$ 12 por dia.
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