NOTA DE SOLIDARIEDADE AO POVO DA VENEZUELA

A Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Bauru, manifesta sua irrestrita solidariedade ao povo da Venezuela. Reafirmamos que a soberania nacional, no contexto da atual articulação geopolítica do capitalismo, é um direito inegociável e um princípio fundamental do direito internacional. Da mesma forma, segundo esses mesmos preceitos, os recursos naturais de um país devem estar a serviço do desenvolvimento de sua nação e do bem-estar de seu povo, e não integralmente subordinados aos interesses do capitalismo globalizado e do imperialismo.

O ataque à Venezuela não constitui um fato isolado, mas a continuidade histórica da doutrina explícita do “América para os Americanos”. Este é um discurso aparentemente simples e direto, mas que, na verdade, esconde os interesses de capitalistas espalhados por todo o planeta. Tal discurso normalmente é entendido como se os interesses dos Estados Unidos da América, enquanto Estado Nacional, existissem para além da necessidade de agir em função dos interesses de uma nação quando, de fato, materializa os interesses daqueles que controlam o processo geral de reprodução da economia. Trata-se de uma lógica imperialista que, ao longo de décadas, tem orientado intervenções diretas e indiretas sobre os territórios e povos da América Latina e tantos outros países e povos do mundo.
No dia 03 de janeiro de 2026, a América Latina despertou como vítima de mais uma intervenção direta do imperialismo que, nesse caso, usa a bandeira dos EUA. É ilusório supor que tal ação esteja motivada pelo combate ao narcoterrorismo ou pela defesa da democracia frente a supostas ditaduras. O objetivo central é outro: o controle e a apropriação dos recursos naturais estratégicos, em especial o petróleo venezuelano, elemento fundamental da geopolítica energética do planeta. A Venezuela possui a maior reserva confirmada do mundo atual e ela está localizada geograficamente a aproximadamente 3000 km do território dos EUA.
Nas últimas décadas, assistimos à instalação de bases militares estadunidenses em diversos países latino-americanos, à atuação de agências como a DEA, a CIA (lembremos da famigerada “Lava-Jato” aqui no Brasil) e outras estruturas de inteligência. Estas ações são sempre realizadas sob o discurso da segurança e do combate a ilícitos, mas com claros propósitos econômicos e geopolíticos. No caso venezuelano, a atual intervenção é resultado de um processo sistemático, construído desde a posse do Comandante Hugo Chávez em 1999, quando o país passou a adotar uma postura soberana, nacionalista e inspirada no ideário bolivariano.
Os embargos comerciais impostos ao povo venezuelano produziram severos impactos sobre a economia e as condições de vida da população. Essas sanções integram uma estratégia deliberada de desestabilização, cujo efeito foi a promoção de fluxos migratórios forçados, especialmente de jovens, famílias e crianças, enfraquecendo o tecido social interno e reduzindo a capacidade de resistência nacional. Esse cenário impõe aos povos de todo o mundo e, especialmente aos latino-americanos a responsabilidade histórica de se opor e resistir, por todos os meios legítimos, ao avanço da nova versão da “Doutrina Monroe” de 1823. É a partir dessa doutrina que se deriva o principal objetivo dos EUA visando controlar as fontes de minerais estratégicos para o desenvolvimento do meio técnico, científico e informacional do mundo atual e conter o avanço da influência da China no âmbito da América Latina.
A defesa da soberania venezuelana ultrapassa as fronteiras nacionais e se insere na luta mais ampla dos povos contra as múltiplas formas de dominação imperialista. E a solidariedade internacional se impõe como uma necessidade histórica, política e ética, capaz de fortalecer a resistência coletiva e reafirmar o direito dos povos à autodeterminação e à soberania.

VENEZUELA LIVRE E SOBERANA!

Bauru, 04 de janeiro de 2026.

Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Bauru – SP
www.agbbauru.org.br

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Editor Ourinhos Online