Não é opção, é necessidade: a dura rotina de quem depende do transporte público para estudar

O transporte público é, há décadas, o principal meio de locomoção de muitos estudantes de Ourinhos que dependem da circular para chegar às instituições de ensino, especialmente no período noturno. Para muitos, essa não é uma escolha, mas uma necessidade.

No entanto, o que deveria ser apenas parte da rotina tem se transformado em uma experiência desgastante, marcada por superlotação, falta de organização e atrasos constantes. No terminal de ônibus, em horários de saída dos estudantes, a plataforma costuma ficar completamente lotada, com dezenas de jovens aguardando os veículos.

Conforme os ônibus chegam, a situação se agrava. A quantidade de circulares disponibilizada não atende à demanda real de passageiros, o que gera empurra-empurra, tumulto e cenas de desespero entre quem tenta garantir um lugar no primeiro veículo para não se atrasar para a aula.

Relatos apontam que o calor excessivo, a falta de espaço para respirar e a pressão da multidão já causaram mal-estar em passageiros e até pequenos ferimentos. Em um dos episódios recentes, um estudante acabou se machucando ao ser empurrado contra a porta do ônibus antes mesmo de ela ser aberta.

Além do desconforto físico, os atrasos impactam diretamente a vida acadêmica. Muitos chegam à sala de aula depois do início da explicação dos professores, prejudicando o aprendizado e criando constrangimento diante da turma. O problema é recorrente e acontece mesmo sendo de conhecimento que, diariamente, um grande número de estudantes utiliza esse trajeto.

Para quem depende do transporte público, a situação é ainda mais dolorosa por simbolizar a falta de respeito com quem está apenas tentando estudar e construir um futuro melhor. Ninguém permanece em um terminal lotado por escolha ou prazer, mas por necessidade.

“Estamos ali porque precisamos. Porque queremos estudar, nos formar e ser alguém na vida”, relata uma estudante que prefere não se identificar. “Tudo poderia ser mais leve se houvesse mais organização e respeito com quem paga pelo transporte.”

A reivindicação dos usuários é clara: mais veículos nos horários de pico, melhor planejamento e atenção à segurança dos passageiros. A superlotação não é apenas um transtorno, mas um risco à integridade física e emocional dos estudantes.

O transporte público deve ser instrumento de acesso à educação, não mais um obstáculo no caminho de quem luta diariamente por ela.

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Editor Ourinhos Online