Milhões vão às ruas nos EUA contra Trump em maior onda de protestos desde sua volta ao poder
Milhões de pessoas foram às ruas em dezenas de cidades dos Estados Unidos neste sábado (28) em uma das maiores ondas de protesto contra o presidente Donald Trump desde o início de seu segundo mandato. Batizadas de “No Kings” (“Sem Reis”), as manifestações criticam a política migratória do governo, a entrada dos Estados Unidos na guerra contra o Irã e o que os organizadores classificam como um avanço autoritário do republicano.
Segundo os organizadores, mais de 3.300 atos foram realizados nos 50 estados americanos e em outros países, reunindo mais de 8 milhões de pessoas. O movimento já é apontado como o maior protesto de um único dia na história dos Estados Unidos.
O principal ato ocorreu em St. Paul, no estado de Minnesota, que se tornou símbolo da mobilização após a morte de moradores durante operações do serviço de imigração americano, o ICE. Centenas de milhares de pessoas ocuparam o entorno do Capitólio estadual em protesto contra as ações do governo Trump.
Um dos momentos mais marcantes do dia foi a apresentação do cantor Bruce Springsteen, que subiu ao palco no ato de Minnesota e apresentou a música “Streets of Minneapolis”, escrita após a morte de Renee Good e Alex Pretti durante operações federais de imigração. Durante o show, o artista criticou diretamente o governo Trump.
“Esse pesadelo reacionário e essas invasões às cidades americanas não serão tolerados”, afirmou Springsteen diante da multidão.
Além da política migratória, os protestos cresceram após a participação dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Manifestantes acusam Trump de ter levado o país a um conflito sem apoio popular e criticam o aumento do número de militares americanos mortos.
Em cidades como Nova York, Washington e Los Angeles, multidões tomaram ruas e praças carregando cartazes com frases como “Chega de reis”, “Abaixe a coroa, palhaço” e “A mudança começa em casa”. Em Washington, centenas de pessoas marcharam diante do Lincoln Memorial e do National Mall.
Em Los Angeles, o protesto terminou em confronto após policiais ordenarem a dispersão dos manifestantes em frente a um centro federal de detenção. Pelo menos 74 pessoas foram presas e dois policiais ficaram feridos após serem atingidos por pedras e blocos de concreto.
Os críticos de Trump acusam o presidente de governar de forma cada vez mais centralizadora, utilizando decretos, perseguindo adversários por meio do Departamento de Justiça e ampliando o culto à própria imagem. Um dos alvos mais recentes das críticas foi a decisão de colocar a assinatura do presidente nas novas notas de dólar.
Mesmo com a dimensão dos atos, a Casa Branca minimizou os protestos e afirmou que eles seriam fruto de “redes de financiamento da esquerda”, sem grande apoio popular. A resposta, porém, contrasta com o tamanho das mobilizações e com a queda na popularidade de Trump, que hoje registra cerca de 36% de aprovação.
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