Lula recebe cúpula europeia no Rio para consolidar acordo Mercosul–União Europeia

Encontro com Ursula von der Leyen antecede assinatura formal do tratado, que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com PIB estimado em US$ 22 trilhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta sexta-feira (16), no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A reunião ocorre às vésperas da assinatura formal do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), marcada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai.

A agenda no Brasil é considerada estratégica pela diplomacia nacional. Ao sediar o encontro com a cúpula europeia, Lula busca consolidar o protagonismo brasileiro na articulação do tratado e garantir o simbolismo político do acordo antes da cerimônia oficial. Enquanto os demais chefes de Estado do Mercosul seguem para a capital paraguaia, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O movimento também sinaliza uma condução própria da política externa brasileira no bloco sul-americano, mantendo certa distância diplomática do presidente argentino Javier Milei, com quem Lula mantém uma relação estritamente protocolar.

Uma potência econômica global

Após 26 anos de negociações intermitentes, o acordo Mercosul–União Europeia cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores. Juntos, os dois blocos somam um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22,3 trilhões, o equivalente a aproximadamente 15% da economia mundial.

O tratado foi estruturado em duas frentes. A primeira é o Acordo Comercial Interino (iTA), voltado à redução de tarifas e barreiras econômicas, que poderá entrar em vigor após aprovação por maioria simples no Parlamento Europeu. A segunda é o Acordo de Parceria UE–Mercosul (EMPA), mais abrangente, que inclui temas como direitos humanos, cooperação digital e ação climática, e depende da ratificação individual dos parlamentos nacionais dos países envolvidos.

Articulação política decisiva

A viabilização do acordo só foi possível após uma intensa articulação diplomática entre Lula e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, no fim de 2025. Diante da resistência de países como França e Polônia, o apoio italiano foi decisivo para garantir a maioria qualificada no Conselho Europeu.

Em artigo publicado nesta sexta-feira, Lula defendeu o pacto como resposta ao cenário de isolamento econômico global. “Não existe economia isolada. A celebração desse acordo só é possível porque Mercosul e União Europeia entenderam ter muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade”, escreveu o presidente.

Indústria, empregos e sustentabilidade

Para o governo brasileiro, o acordo marca uma nova etapa para a indústria nacional. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que o tratado fortalece o multilateralismo, amplia investimentos e gera oportunidades para a economia brasileira.

“É um acordo de ganha-ganha, que gera empregos, aumenta a competitividade e amplia a oferta de produtos mais baratos e de melhor qualidade”, afirmou. Alckmin ressaltou ainda que a mudança na postura ambiental do Brasil foi fundamental para destravar as negociações. Segundo ele, o compromisso com o combate ao desmatamento, a preservação das florestas e a redução das emissões de carbono foi determinante para o avanço do diálogo com os europeus.

Resistências e próximos passos

Apesar do otimismo do governo brasileiro, a implementação do acordo deve ocorrer de forma gradual e ainda enfrenta resistências, especialmente de setores agrícolas europeus. Em Paris, agricultores voltaram a protestar nesta semana, alegando concorrência desleal de produtos sul-americanos.

O chanceler Mauro Vieira minimizou os riscos e afirmou que o novo bloco tende a atrair outros parceiros comerciais. “Dos sete membros do G7, três fazem parte da União Europeia e participarão desse acordo. Além disso, Japão, Canadá e Reino Unido já manifestaram interesse em discutir acordos comerciais com o Brasil”, afirmou em entrevista à GloboNews.

A assinatura em Assunção deve marcar o início de uma nova fase nas relações entre os dois blocos, com impactos diretos sobre comércio, indústria, meio ambiente e política internacional.

Fonte: Jornal GGN

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Editor Ourinhos Online