Lula defendeu saída de Toffoli de caso envolvendo Banco Master e planejava conversa após o Carnaval

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou como insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. A auxiliares, Lula afirmou que a insistência do magistrado em continuar à frente do caso poderia prejudicar politicamente o governo.

Segundo relatos, o presidente considerava que Toffoli não teria outra alternativa: ou deixaria a relatoria do processo, encaminhando o caso para a primeira instância, ou deveria se afastar de vez do Supremo Tribunal Federal.

Na quinta-feira (12), Toffoli decidiu deixar oficialmente a condução das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão foi tomada após reunião entre ministros da Corte e diante do avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal.

Em nota, o STF informou que o ministro solicitou a redistribuição do processo “considerados os altos interesses institucionais”. O tribunal destacou ainda que não havia fundamentos para a abertura de um pedido formal de suspeição, reconheceu a validade dos atos já praticados por Toffoli e manifestou apoio pessoal ao magistrado.

O desgaste entre Lula e Toffoli se intensificou nos últimos dias, especialmente após a Polícia Federal apontar ao presidente do STF, Edson Fachin, indícios de suspeição do ministro, após encontrar menções a seu nome no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Em dezembro, durante almoço na Granja do Torto, Toffoli teria informado a Lula que não abriria mão da relatoria do caso. O encontro contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, Toffoli alegou que políticos de diferentes partidos estariam envolvidos nas irregularidades e que o envio do processo à primeira instância poderia gerar novos desdobramentos, comparáveis a uma “Lava Jato 2”.

De acordo com interlocutores, Lula reagiu de forma dura, afirmando que, mesmo que um de seus filhos estivesse envolvido, deveria responder judicialmente. Para o presidente, a permanência de Toffoli no caso agravava a crise e poderia trazer consequências imprevisíveis em ano eleitoral.

Monitoramentos realizados pelo Palácio do Planalto indicaram preocupação com a repercussão do escândalo nas redes sociais, onde havia a percepção de que o ministro tentava conter a crise e proteger aliados políticos.

Nos bastidores, Toffoli afirmou que a Polícia Federal estaria promovendo investigações ilegais e vazamentos de informações distorcidas. Já aliados do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sustentam que a atuação da corporação teria ocorrido com respaldo do presidente da República.

Diante do risco de envolvimento de integrantes do Partido dos Trabalhadores, dirigentes da sigla se reuniram com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado. Ambos negaram irregularidades em contatos com empresários ligados ao caso.

Inicialmente, Lula pretendia conversar novamente com Toffoli após o Carnaval, mas a decisão do ministro de deixar a relatoria tornou o encontro desnecessário.

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Editor Ourinhos Online