Justiça fecha o cerco: líder do garimpo ilegal é condenado na Amazônia
A Justiça Federal de Roraima condenou Rodrigo Martins de Mello, conhecido como “Rodrigo Cataratas”, a 16 anos e 7 meses de prisão em regime fechado por liderar uma organização criminosa que atuava com mineração ilegal dentro da Terra Indígena Yanomami, na Amazônia.
Segundo a sentença, o grupo comandado por Rodrigo mantinha uma estrutura organizada para explorar ouro e cassiterita de forma ilegal, causando graves danos ambientais e sociais à região.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), não se tratava de um garimpo artesanal. A quadrilha possuía uma verdadeira logística de grande porte, utilizando ao menos 23 aeronaves para transportar combustível, máquinas pesadas, trabalhadores e também para escoar o minério retirado da terra indígena.
A investigação apontou ainda que o esquema funcionava como uma empresa familiar. O filho e a irmã de Rodrigo Cataratas também foram condenados, com penas superiores a 8 anos de prisão, por atuarem na parte financeira e na organização da operação criminosa.
Além das penas de prisão, a Justiça determinou o pagamento de uma indenização de R$ 31,7 milhões por danos morais coletivos. O valor deverá ser destinado como forma de reparação pelos prejuízos causados ao meio ambiente e às comunidades indígenas.
Entre os danos apontados estão o desmatamento, a contaminação de rios por mercúrio e o agravamento da crise humanitária vivida pelo povo Yanomami, que enfrenta problemas de saúde e falta de alimentos em decorrência da invasão de garimpeiros.
A defesa dos condenados informou que irá recorrer da decisão, alegando que as atividades realizadas eram legais. Mesmo assim, a sentença é considerada importante por tratar o financiador do garimpo não apenas como infrator ambiental, mas como líder de organização criminosa.
Especialistas afirmam que a decisão pode abrir caminho para punições mais duras contra grandes responsáveis pela mineração ilegal na Amazônia.
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