História recontada: Marighella se escondia “nas barbas” da polícia

Texto inédito de João Teixeira revela bastidores da atuação de Carlos Marighella no interior paulista durante a ditadura militar

Um novo texto exclusivo de João Teixeira traz à tona episódios pouco conhecidos da atuação de Carlos Marighella, líder da insurgência armada em 1968 e considerado “inimigo número um” da ditadura militar brasileira (1964–1985).

Segundo o relato, Marighella articulava estratégias revolucionárias no interior de São Paulo, com atenção especial a pontos estratégicos como refinarias de petróleo, malha rodoferroviária e centrais elétricas. Informações registradas pela polícia política — e também presentes no livro San Ernesto de la Higuera — indicam a relevância econômica e logística da região.

O texto destaca ainda que cidades como Bauru exerciam papel central no escoamento e distribuição, com grandes depósitos ligados a empresas multinacionais abastecendo diversas regiões, incluindo o norte do Paraná, Alta Sorocabana, Mogiana, Noroeste e Mato Grosso.

A socióloga e ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Ana Corbisier, também é citada na reconstrução histórica. Em seu livro Clandestina, ela relata encontros e deslocamentos de Marighella em São Paulo, incluindo reuniões no Jardim Europa.

Em um dos trechos, Corbisier relembra uma situação curiosa em que questionou o líder guerrilheiro por se hospedar próximo à sede da Polícia Federal, no bairro de Higienópolis. A resposta, segundo ela, foi direta: eram justamente esses os melhores lugares para se esconder.

O texto também aborda o posicionamento ideológico de Marighella, que defendia o combate prioritário ao imperialismo estadunidense, considerado por ele como principal influência externa sobre o Brasil à época. Essa visão se refletia no programa político da ALN, que incluía a expropriação de propriedades ligadas a interesses norte-americanos.

Além do viés político, Marighella demonstrava atenção a aspectos econômicos, como a produção cafeeira. Dados citados indicam, por exemplo, o volume expressivo de exportações da Cooperativa Agrícola de Garça e a atuação de empresas multinacionais no setor.

Apesar da intensa atividade e rede de contatos, o guerrilheiro também se expunha a riscos frequentes. Sua trajetória chegou ao fim em uma emboscada policial na noite de 4 de novembro de 1969, quando se preparava para iniciar ações de guerrilha rural.

O material integra um conjunto de obras que será lançado em breve em Ourinhos, incluindo San Ernesto de la Higuera e Ainda Estamos Vivos, de João Teixeira, além de Clandestina, de Ana Corbisier.

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Editor Ourinhos Online