Governo do Paraná sofre derrota massiva em consulta sobre terceirização de escolas

Projeto de Ratinho Junior foi rejeitado em 83 das 96 unidades consultadas; iniciativa é alvo de críticas por suposta inconstitucionalidade e foco no lucro

Em uma demonstração clara de insatisfação popular, o programa do governador Ratinho Junior (PSD) que previa a terceirização da gestão de escolas públicas estaduais foi categoricamente rejeitado pela comunidade escolar. A consulta pública, realizada como última etapa do processo, resultou em uma vitória esmagadora do “não”: 83 escolas votaram contra a medida, enquanto outras 11 não alcançaram o quórum mínimo para validar a participação.

A iniciativa, batizada de “Escolas Parceiras”, foi amplamente criticada por especialistas em educação, sindicatos e entidades do setor, que a classificam como uma tentativa de privatização velada da educação pública. O governo, no entanto, insistiu em apresentá-la como um modelo de “parceria” para melhorar a qualidade do ensino.

Para legitimar a proposta, a administração estadual investiu pesado em campanhas publicitárias e contou com apoio financeiro e logístico de grandes empresas do setor educacional privado, além da articulação política com aliados de direita. A estratégia, no entanto, não convenceu pais, alunos, professores e funcionários.

Projeto sob fogo cerrado

Além da rejeição popular, o programa enfrenta uma série de questionamentos. Especialistas jurídicos apontam a inconstitucionalidade do modelo, argumentando que a gestão da educação pública é um dever indelegável do Estado. Profissionais da educação denunciam o caráter “autoritário” e “mercadológico” do projeto, que priorizaria o lucro em detrimento da qualidade pedagógica e da responsabilidade social.

“O resultado das consultas é um recado contundente da população: NÃO QUEREMOS A PRIVATIZAÇÃO”, declarou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, em coletiva de imprensa. “Educação, assim como saúde e segurança, deve ser gerida pelo Estado. A terceirização é uma saída fácil para quem não entende de administração pública e quer transferir um dever do poder público para a iniciativa privada”, completou.

Derrota política e incertezas

A expressiva derrota nas consultas é vista como um duro golpe político para o governador Ratinho Junior. O resultado deixa claro o abismo entre a proposta do governo e a vontade daqueles que são os principais interessados no funcionamento das escolas.

Com a rejeição, o futuro do programa “Escolas Parceiras” é incerto. A pressão de sindicatos e movimentos sociais agora é para que o governo arquive definitivamente o projeto e busque melhorias no ensino por meio de investimentos diretos e da valorização dos profissionais da educação, em vez de modelos terceirizados.

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Editor Ourinhos Online