“Fala mermão, pode atender?”: Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, 134 milhões de reais e uma crise de narrativa.

Em áudio divulgado pela Intercept Brasil nesta quarta-feira, dia 13 de maio,

(https://www.intercept.com.br/2026/05/13/audio-flavio-negociou-vorcaro-milhoes/)

o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece cobrando de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e apontado como operador central da maior fraude do sistema bancário e financeiro da história do país, o pagamento da quantia de 134 milhões de reais para a produção do filme “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex presidente e condenado Jair Bolsonaro.

O áudio foi enviado pelo senador no dia 16 de novembro de 2025. Neste, Flávio aponta compreender o “momento dificílimo” que Vorcaro estava passando e, com tom de inevitabilidade e pressa, cobra a dívida que teria sido prometida pelo bilionário para a realização do filme.

O momento realmente veio a se confirmar inoportudo já que no dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso tentando fugir da investigação pela fraude que causou mais de 47 bilhões de reais de prejuízo ao Fundo Garantidor de Crédito.

Portanto, no panorama eleitoral, além da aproximação do deputado Nikolas Ferreira, líder bolsonarista da Câmara com Vorcaro, utilização de seu avião e a “cara de pau” de dizer que não sabia; além da relação íntima de Ciro Nogueira, coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, com Vorcaro, recebendo mesada de centenas de milhares de reais por mês, temos também o filho de Jair Bolsonaro chamando Daniel Vorcaro de “mermão”, “irmão” e “irmãozão” e cobrando um valor que poderia pagar o filme brasileiro ganhador de Oscar Ainda Estou Aqui 15 vezes.

Mesmo assim, uma rápida pesquisa de “Vorcaro e” no Google, as sugestões que completam a sua pesquisa são: Vorcaro e Lula, Vorcaro e Alexandre de Moraes, Vorcaro e PT.

É evidente que, em meio a esse tumulto, seria muito produtivo criar a cortina de fumaça e desviar a atenção do eleitor indeciso para, por exemplo, o “cancelamento do detergente Ypê”, da “Anvisa petista e aparalhada”. A atenção se fixa nos exageros, nas meias-palavras – escolhidas com impacto, mas não tanto cuidado, e especialmente nas suposições perigosas e conspiratórias.

Se argumentava, em 2022, que Lula iniciava sua campanha presidencial enquanto o então presidente Jair Bolsonaro ainda tinha 77~+que trabalhar como presidente, e portanto se construiu uma desvantagem para o incumbente. Além de ser uma grande mentira objetiva na época, já que se desvendou que seu tempo hábil era gasto em reuniões com objetivos golpistas, o que se apresenta nessa campanha de 2026 é o completo oposto.

Flávio, mesmo em seu cargo de Senador, tem feito uma campanha pelas beiradas. Seja ela participando de eventos como a CPAC, conferência conservadora nos Estados Unidos, ou conseguindo quantias excessivas de dinheiro para sua campanha cinematográfica com o maior fraudador da história brasileira.

Enquanto isso, o presidente Lula se aproxima de Washington sem abrir mão da soberania do país, toma medidas populares, como a isenção da primeira faixa do imposto de renda, subsídio ao preço do combustível, impulsiona debates sobre a jornada de trabalho e mesmo assim a esquerda não consegue tomar as rédeas da narrativa.

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Editor Ourinhos Online