Eleições decisivas na América Latina em 2026 em meio a intervenção dos EUA e ofensiva da direita
2026 se consolida como um ano eleitoral crucial para a América Latina, com cinco países — Brasil, Colômbia, Haiti, Peru e Costa Rica — convocados às urnas em um momento de fortes tensões geopolíticas, ofensiva aberta dos Estados Unidos e crescente mobilização das forças de direita no continente.
Analistas políticos destacam que essa rodada de eleições vai além de disputas nacionais, envolvendo questões como soberania, alinhamentos internacionais e o papel das esquerdas diante de uma direita mais agressiva e menos disposta à conciliação. Para o historiador Miguel Stédile, trata-se de um cenário de “direitas mais raivosas e esquerdas mais moderadas”, que desafia os ciclos progressistas recentes na região. 
🗳️ Favorecendo ou ameaçando a estabilidade regional
A Colômbia vive um momento histórico: pela primeira vez desde a chegada da esquerda ao poder com Gustavo Petro em 2022, o país enfrentará uma eleição sem a presença do presidente incumbente, com o senador Iván Cepeda tentando garantir a continuidade dos projetos do Pacto Histórico em meio a forte mobilização da direita. 
No Brasil, a disputa presidencial de 2026 promete reeditar a polarização entre lulismo e bolsonarismo, com impacto direto no equilíbrio político de toda a América Latina, especialmente após a crise venezuelana. 
🇭🇹 Haiti: eleições sob sombras
No Haiti, o calendário eleitoral — marcado para agosto — enfrenta incertezas profundas devido à grave crise de segurança e institucionalidade no país, que pode comprometer até mesmo a realização do pleito. 
🌎 A ofensiva dos EUA e seus efeitos nas eleições
O início de 2026 foi marcado por uma das mais dramáticas ações de intervenção dos Estados Unidos no continente: no dia 3 de janeiro, forças americanas executaram uma operação militar na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, que foram levados aos EUA para enfrentar acusações penais. 
A repercussão da operação é profunda. Governos de diversos países latino-americanos criticaram a ação como violação da soberania venezuelana e ameaça à paz regional. O Brasil, a Colômbia e Cuba, entre outros, expressaram preocupação com o impacto de uma intervenção armada no equilíbrio político do continente, afirmando que a paz e o respeito ao direito internacional estão em risco. 
Por outro lado, setores favoráveis à intervenção — incluindo o presidente argentino Javier Milei — celebraram a ação como um passo rumo à “liberdade” e ao fim de regimes tidos como autoritários. 
Essa ofensiva não apenas coloca os processos eleitorais sob pressão geopolítica externa, mas também intensifica o debate interno sobre soberania, direito internacional e influência estrangeira em eleições — especialmente nos países onde pleitos competitivos estão em andamento ou prestes a ocorrer.
🗺️ Um ano que define rumos
O quadro que emerge é o de um ano em que a América Latina pode redefinir seus vetores políticos: de um lado, a ampliação de forças de direita alinhadas com agendas liberais e com apoio externo; de outro, a tentativa das esquerdas de ampliar sua base social, disputar espaços legislativos e superar a moderação que, para alguns analistas, tem limitado seu alcance transformador.
Conforme a região caminha para as urnas — em meio a reações internacionais, debates sobre a intervenção militar na Venezuela e o fortalecimento de novos atores políticos — 2026 promete ser um momento decisivo que vai além de governos específicos e influenciará o futuro geopolítico do continente.
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