Canetas emagrecedoras e apostas online pressionam orçamento das famílias brasileiras
O orçamento das famílias brasileiras vem sendo cada vez mais disputado por novos gastos, como medicamentos para emagrecimento e apostas online. Segundo dados da NielsenIQ Brasil, essas duas categorias já estão presentes em pelo menos um a cada quatro lares do país e contribuem para a redução do dinheiro destinado a itens básicos, como alimentos e produtos de higiene.
Entre 2003 e 2025, o aumento real da renda do brasileiro foi modesto, com média anual de 1,7%. No mesmo período, cresceram despesas que não existiam ou eram pouco comuns no início dos anos 2000, como internet, streaming, celular e ensino superior. Também aumentou o número de famílias que pagam aluguel.
Com mais despesas fixas e novos hábitos de consumo, a fatia do orçamento destinada aos chamados bens de giro rápido — alimentos, bebidas, higiene, beleza e limpeza — caiu de 23,5% em 2023 para 21,9% atualmente. A tendência é de nova queda, impulsionada principalmente pelas apostas online e pelas chamadas canetas emagrecedoras.
Levantamentos apontam que as apostas virtuais estão presentes em 26% dos domicílios brasileiros, com maior incidência nas classes D e E. Já medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro aparecem entre 25% e 30% dos lares, seja por meio das versões originais, que exigem receita médica, seja por alternativas genéricas ou manipuladas.
O custo desses tratamentos é elevado. O uso mensal do Mounjaro pode ultrapassar R$ 1.400, enquanto opções mais baratas, como medicamentos à base de liraglutida, ainda representam cerca de R$ 300 por mês. A popularização tende a crescer com a redução de preços, o que preocupa especialistas quanto ao impacto financeiro e ao uso sem acompanhamento médico.
Além disso, muitos apostadores veem as “bets” como possibilidade de renda extra, o que pode mascarar os riscos de endividamento. Pesquisas indicam que a participação real pode ser ainda maior, já que parte dos usuários não declara o hábito.
Outro fator que pesa no orçamento é a alta dos alimentos. Somente no último ano, os preços subiram cerca de 12%, enquanto o volume consumido caiu, mostrando que o brasileiro passou a pagar mais por menos produtos. Para se adaptar, muitas famílias trocam marcas tradicionais por opções mais baratas ou reduzem o tamanho das embalagens, mesmo sabendo que o custo-benefício é pior.
O comportamento de compra também mudou. A tradicional “compra do mês” vem sendo substituída por aquisições menores e mais frequentes, inclusive em farmácias. Ao mesmo tempo, cresce a chamada polarização do consumo: aumentam tanto os produtos mais baratos quanto os premium, enquanto os intermediários perdem espaço.
Especialistas alertam que o avanço das apostas online e do consumo de medicamentos para emagrecimento, somado ao encarecimento dos itens básicos, pode comprometer ainda mais a renda das famílias, principalmente das mais pobres. O risco é a substituição de necessidades essenciais por gastos que trazem impacto financeiro imediato e, em muitos casos, problemas de saúde e endividamento.
Com informações da Folha de S. Paulo.
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