A Teoria dos Jogos explica: Alcolumbre X Lula Por Roberto César Cunha
No Senado Federal, o tabuleiro político é menos sobre fórmulas e mais sobre timing e informação legítima na mesa. Quando vi a manobra do Davi Alcolumbre, tentei entendê-la lembrando da Teoria dos Jogos: ele se antecipou, articulou campanha entre senadores para reprovar o nome de Jorge Messias para o STF e chegou a marcar a sabatina antes da mensagem presidencial formal existir. Mas subestimou o primeiro movimento necessário para que o jogo fosse válido, o envio oficial pelo Governo do Brasil. No jargão, não se começa partida sem o apito inicial; na luta real, foi uma trapalhada estratégica.
E aqui a analogia ajuda, mas não substitui a realidade: política não é teorema, é conflito social, disputa por poder e, como diria o próprio Marx, movimento condicionado pelas forças materiais. Numa leitura relativa do oponente, mesmo reconhecendo a bagagem política de Alcolumbre, quando a disputa envolve o presidente Lula ele ocupa o papel de jogador comparativamente inexperiente. Porque a raposa velha aqui não é o Senado, nem o rito, nem a articulação em si, mas sim Lula, com décadas de faro institucional e intuição política moldada nas lutas da sociedade brasileira.
Por isso digo: o pior resultado, a jogada menos favorável do melhor e mais experiente jogador da mesa, no caso de Lula, foi justamente a indicação de Jorge Messias, e, ainda assim, ela se revelou, por hora, mais sólida e estável do que a melhor chance do jogador comparativamente inexperiente, Davi Alcolumbre, que apostava todas as fichas na reprovação do nome.
Sua melhor possibilidade carregava incerteza e desgaste; o movimento de Lula, embora criticável como escolha política por muitos, partia de terreno institucional válido e lhe garantiu a vantagem mínima no confronto. Na batalha momentânea, quem sai vencedor é Lula. Quem sai desgastado é Davi Alcolumbre , porque política não é equação: é luta de classes, combate no tempo, e quem tenta atropelar o relógio contra o mais preparado, acaba perdendo a mão antes da raposa mostrar o jogo por inteiro.
Roberto César Cunha – doutor em Geografia (UFSC) e autor do livro O ouro do cerrado – Origem e o Desenvolvimento da Soja no Maranhão
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