A família educa e a Escola ensina – Por Pedro Saldida
Esta semana estava pensando na dificuldade que a escola, os professores, os funcionários travam diariamente enfrentando uma instituição chamada família, mas que é uma luta conjunta, a uma só voz, e com o objetivo de crescimento e bem estar de seus filhos. Só os pais travam essa luta contra, nós não, nós estamos aqui como sempre pelas crianças. Ninguém vê um profissional reclamar de uma mãe que não troca a fralda de seu filho, que a criança volta com a mesma fralda do dia anterior, ninguém vê um profissional reclamar da falta de banho da criança, que só toma banho na escola, só come na escola. A família ainda não entendeu que a escola não é um depósito, um almoxarifado qualquer que possam chegar, deixar seus filhos e não ter interesse, não querer saber deles até à hora de ir embora. O título da coluna já é um chavão mas que muitas vezes esquecemos que quem é responsável por transmitir valores éticos e morais e a escola, por sua vez, tem a responsabilidade de fornecer conhecimentos e competências.
O que a sociedade ainda não entendeu é que escola e família devem andar de mãos dadas para um bem comum, a criança. Se torna fundamental e primordial a relação da família com a escola para o desenvolvimento total do aluno, ou seja, os dois ambientes integrados proporcionam um suporte emocional e educacional contínuo, essencial para o sucesso escolar.A interação entre família e escola deve ser recíproca e deve resultar na divisão de responsabilidades.
Existem muitas formas de colaboração da família com a escola; a família pode e deve buscar a escola que esteja alinhada com o que se ensina em casa, a família pode e deve acompanhar de perto a educação do filho na escola, por forma a avaliar se a escola está correspondendo às expectativas, a família pode estar atenta aos aspetos sociais das interações do filho com professores, colegas e funcionários das escolas, a escola pode e deve fornecer um ambiente de aprendizado adequado e estruturado, com professores capacitados e materiais didáticos relevantes.
A escola acaba tendo um papel extremamente importante para a formação de cidadãos, para a socialização e para o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos. A formação de cidadãos nada mais é que a transmissão de princípios e valores éticos e morais, desenvolver o senso crítico, estimular o senso crítico e preparar os alunos para participar ativamente na sociedade.
A socialização desenvolve habilidades sociais, emocionais e de comunicação, o desenvolvimento de conhecimentos promove a igualdade de oportunidades e contribui para a redução de desigualdades sociais, enquanto o ambiente de aprendizagem fornece um espaço de aprendizado adequado e estruturado.
Gestão escolar é o conjunto de ações e processos que controlam e organizam uma instituição de ensino, no caso da nossa Cidade, temos 45 unidades escolares, logo 45 gestões escolares. A Gestão escolar garante a qualidade da educação e o bem-estar da comunidade escolar. Gestão escolar envolve interação com os pais ou responsáveis, gestão de pessoas, gestão de recursos materiais e financeiros, implementação de políticas educacionais, tomada de decisões e planejamento estratégico. Mas o que as pessoas não entendem é que a gestão escolar é um braço, é uma extensão da principal decisora que é a Gestão Municipal. E muitos responsáveis, muitos pais não entendem que a gestão municipal quem define as metas, diretrizes, objetivos para um ano escolar. A Secretaria Municipal de Educação é o órgão próprio do sistema municipal de ensino que planeja, coordena, supervisiona e avalia as atividades de ensino a cargo do Poder Público Municipal no âmbito da educação básica.
Os pais podem e devem, e muito bem a meu ver, sinal que mostram preocupação com o bem estar de seus filhos, questionar, dialogar com a gestão escolar. O que não podem é cobrar da gestão escolar algo que a gestão municipal não consegue solucionar. Se um pai chega na escola e questiona acerca do repelente prometido pela gestão, não podem sequer pensar que é a unidade escolar que não tratou. Se um pai chega questionando por material adequado para uma criança atípica e a unidade escolar informa que não tem, esses mesmos pais não podem nem devem se revoltar contra a gestão escolar, contra a unidade escolar. Quando leio escritos de seres humanos, que não sabem como funciona uma unidade escolar, ou uma gestão escolar, questionar situações inusitadas e depois afirmar que vai procurar o Prefeito, a vontade que dá de responder é imensa. Se não tem repelente, se não tem material adequado para crianças atípicas a culpa não pode ser atribuída à unidade escolar, nem tão pouco à gestão escolar. Como falei as escolas são braços, extensões de uma gestão municipal. As notas do piano são tocadas conforme o Maestro que se encontra no cargo de Secretário. Nada é feito sem sua assinatura, sem seu consentimento, sem sua anuência.
Quando falei dos Conselhos Municipais em uma das minhas colunas, queria que as pessoas entendessem o poder que têm em mãos de fiscalizar, de questionar, de defender a área de atuação do Conselho em que se encontrem. Ao participar ativamente da vida de um filho, e em última análise em um Conselho Municipal, os responsáveis podem aferir o direcionamento de uma determinada política política. Ao largar seu filho na escola, ao não participar da vida da educação mais ativamente acredito que o achismo sumiria de vez da vida das pessoas e aí sim entenderiam como funciona a educação enquanto política pública e lutariam com quem está no campo de batalha todos os dias, e que muitas vezes é criticado sem razão ou culpa alguma.
Finalizo com uma frase de Paulo Freire, Professor, pedagogo, o nome de maior peso quando falamos de Educação no Brasil:
“Lavar as mãos do conflito entre os poderosos e os impotentes significa ficar do lado dos poderosos, não ser neutro. O educador tem o dever de não ser neutro.”
Pedro Saldida
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