O ser é um ente que se experimenta e não é senhor da verdade. – Por Paula Hammel
A dor ensina, a alegria ensina. O vazio e a escuridão nos conduzem, pois são esses espaços que confrontam o ser com sua finitude, sua fragilidade e sua impotência diante do mundo. Eles nos guiam por caminhos tortuosos, onde, a cada passo, percebemos que o aprendizado não se traduz em uma compreensão total, mas em uma revelação do que permanece oculto nas sombras. A perda, assim, torna-se uma mestra implacável, revelando que tudo o que tocamos, amamos e conhecemos está, inevitavelmente, sujeito à transitoriedade.
Mas e o ser? O ser aprende? Não, o ser não entende. Ele se vê perdido em suas próprias indagações, onde o entendimento escapa por entre os dedos, sempre intangível, fora de alcance. Não busca a sabedoria de quem já chegou a conclusões, mas se encontra imerso em uma inquietação constante, um vazio que cresce à medida que ele se desvela.
O ser, em sua essência, não encontra respostas definitivas. Ele simplesmente existe. Sua trajetória não é marcada por certezas, mas por um confronto contínuo com a incerteza, onde as perguntas se multiplicam e, a cada tentativa de resposta, surgem novas dúvidas. O ser não alcança a verdade absoluta, mas se perde nela, como um viajante sem destino, guiado por uma intuição que é tanto sua força quanto sua fraqueza.
Heidegger, ao refletir sobre o ser, nos ensina que não somos entidades que dominam o conhecimento, mas existimos em um mundo que nos desafia, com todas as suas contradições e incertezas. O ser está sempre diante do que não é, e é nesse confronto, nessa tensão entre o que é e o que não é, que ele se revela. Não há uma compreensão total, mas um movimento contínuo de busca, de aprendizado no processo de existir.
O ser, portanto, não é um sujeito que acumula sabedoria, mas um ente que se experimenta, que se coloca em relação com o mundo. Ele não é senhor da verdade, mas aquele que se perde e se reencontra a cada novo encontro com o que o cerca. Está sempre em transformação, sempre se abrindo para o mistério da vida, sem jamais alcançar uma certeza definitiva, mas vivendo a interrogação que o define.
Paula Hammel
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