Entre razões e emoções – o olhar-se POR PAULA HAMMEL
Não é egoísmo pensar em ti.
É um ato de contenção. Ou de fuga.
Ajustar-se ao próprio contorno antes que se desfaça,
antes que o avesso se torne hábito.
Há um instante – ínfimo – em que o corpo diz: basta.
Mas quem ouve?
Quem lê os sinais antes que a pele rache?
O amor próprio vem antes do amor pelo outro?
Ou são espelhos descompassados?
A mão que se estende pode ser a mesma que se perde,
a mesma que se recolhe.
Seguir nem sempre é um movimento para frente.
Pode ser pausa. Pode ser desvio.
O centro do labirinto nunca está onde parecia estar.
Nem sempre há chegada.
E tudo bem.
Entre querer e precisar, há um vão.
E nem sempre o que temos a dar é o que o outro espera.
Nem sempre espera.
Sê teu próprio enigma.
Mas, se houver um instante – raro, inaudível – em que o amor for pouso, não demanda…
Então, desata.
Solta as margens.
Permite que o melhor e o mais indecifrável de ti
permaneça onde sempre pertenceu:
no silêncio que nunca precisou de tradução.
Paula Hammel
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