Vera Lúcia Marcatti escreve sobre os desafios e o peso emocional de continuar sendo mãe mesmo após os filhos crescerem
Hoje, neste Dia das Mães, tenho uma reflexão a fazer sobre o meu papel de mãe.
Desde menina, sempre tive o sonho de ser mãe. Nunca sonhei em casar, formar uma família e ter filhos. Meu sonho era, simplesmente, ter filhos. Ser MÃE.
Mas, como diz o velho ditado, a gente faz planos e Deus faz outros. Foi assim que conheci aquele que seria o pai dos meus filhos, e tudo se encaixou perfeitamente. A formação de uma família passou a fazer parte dos meus sonhos.
O plano de ser mãe se concretizou com sucesso. Fui mãe de dois dos filhos mais lindos, inteligentes e saudáveis que Deus poderia me dar — e que eu poderia merecer.
Fui a mãe mais feliz do mundo. Com todos os desafios que essa condição traz: preocupações, cansaço, noites mal dormidas, a correria entre trabalho, casa e os cuidados com meus dois maravilhosos filhos. Ainda assim, só guardo na memória os momentos mais especiais dessa caminhada.
Foram muitas alegrias, risadas e lembranças dos melhores momentos da minha vida. Mesmo com todos os perrengues, eu me sentia feliz, satisfeita e realizada. Eu era mãe — e mãe dos melhores filhos.
Sempre foi assim. Tudo acabava sendo resolvido, superado, e deixava aquele doce sentimento de missão cumprida. Entre quedas, correria e problemas para resolver, eu sempre conseguia seguir em frente. Com a ajuda de Deus, com a minha fé, minha praticidade, minha força maternal e meu amor infinito e incondicional, eu sempre dava conta.
Até que chegaram os dias em que me deparei com meus filhos adultos.
Agora, os problemas são outros. Os desafios mudaram. E, principalmente, eu já não tenho mais controle sobre nada. Eles são donos das próprias vidas, das próprias escolhas, dos próprios caminhos.
Eles não precisam mais que eu seja a mãe que fui durante tantos anos. Mas existe algo que eu não consigo deixar de ser: mãe deles.
E é justamente aí que a minha alma de mãe — aquela com a qual eu nasci — deixa de ser leve, feliz e cheia de esperança para se tornar ansiosa, pesada e aflita. Porque agora eu preciso entender que, se eles caírem, saberão se levantar. Que, se enfrentarem problemas, serão capazes de resolvê-los sozinhos.
Hoje, meu papel é apenas amá-los, admirá-los e acompanhá-los de longe. Aplaudir suas conquistas, sofrer com suas derrotas, observar suas escolhas e suas vidas.
Agora, preciso aprender a ser espectadora.
E talvez essa seja a fase mais difícil de todas.
Hoje sinto o peso de ter sido mãe. Preciso ser aquela que não opina o tempo todo, que não resolve tudo, que não interfere. Preciso ser aquela que fica. Que permanece disponível. Que espera ser chamada quando necessário.
E penso que essa é a condição mais difícil para alguém que escolheu ser mãe como eu escolhi.
Eu quis muito esse papel. Fui mãe. Tentei ser a melhor mãe que meus filhos poderiam ter. Mas nunca me preparei para ser a mãe que eles precisariam quando se tornassem adultos.
E essa mãe que hoje eu preciso ser sofre por não saber exatamente como agir.
Ser mãe definitivamente não é viver no paraíso.
Assinado:
Simplesmente, MÃE.
— Vera Lúcia Marcatti
Apoie o Ourinhos.Online⬇️
https://apoia.se/ourinhosonline
