Regra alterada pelo INSS em 2022 impulsionou expansão do Banco Master, apontam documentos

Mudanças feitas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro permitiram a criação e rápida expansão do Credcesta, modalidade de crédito consignado ligada ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, hoje investigado pela Polícia Federal.

Segundo documentos obtidos pela imprensa, o INSS alterou as regras do crédito consignado apenas 16 dias após receber um ofício do banco manifestando interesse em operar o novo cartão. A mudança abriu caminho para o funcionamento do chamado “cartão consignado de benefício”, utilizado pelo Credcesta.

Os registros apontam que o produto foi decisivo para o crescimento do Banco Master. Em 2022, havia cerca de 104,8 mil contratos ligados ao Credcesta. Dois anos depois, em 2024, esse número saltou para 2,75 milhões de contratos, um aumento superior a 2.500%. A modalidade passou a atingir aposentados, pensionistas, beneficiários do BPC e servidores públicos estaduais e municipais.

De acordo com dados do INSS, o Credcesta se espalhou por 24 estados e 176 municípios. A atual gestão do instituto afirma que a expansão ocorreu de maneira acelerada e com indícios de irregularidades. Relatórios internos citam “desconformidades” nos contratos e apontam suspeitas de falhas na contratação do crédito consignado.

As suspeitas levaram a Polícia Federal a investigar o banco na chamada Operação Compliance Zero. A operação apura possíveis fraudes em carteiras de crédito e gestão fraudulenta dentro da instituição financeira.

Os documentos mostram ainda que o acordo de cooperação entre o INSS e o Banco Master vigorou entre 2020 e 2025. A parceria deixou de ser renovada após o avanço das investigações sobre possíveis fraudes nas operações do banco.

Em nota enviada à imprensa, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master “sempre atuou em observância às normas estabelecidas pelo INSS para a concessão de crédito consignado”.

O caso também alcançou a esfera política. Segundo a reportagem, Vorcaro teria recebido em sua residência, em maio de 2024, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, então pré-candidato ao governo da Bahia. O encontro teria sido intermediado pelo empresário Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro.

Além disso, o Coaf identificou que uma empresa ligada a ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag Investimentos entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto negou irregularidades e afirmou que, à época, não havia informações que desabonassem as empresas envolvidas.

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Editor Ourinhos Online