Esse é o momento da redução da jornada de trabalho! Por Luiz Bosco
A batalha mais importante deste ano é pelo fim da escala de trabalho conhecida como “6×1”. A redução da jornada, de 44 para 36 horas semanais, proposta para ocorrer de forma gradual, mobilizou campanhas e conta com boa articulação política no momento.
Das inúmeras lutas pela dignidade no trabalho desde a primeira revolução industrial, a regulamentação da jornada está entre as centrais.
Na ponta do lápis, 44 horas, a carga ainda vigente, não representa nem metade das horas que temos em uma semana. A questão reside em que essa carga horária se concentra no tempo mais produtivo de nossos dias. Vemo-nos obrigados a vender o melhor de nosso tempo para sobrevivermos.
Hoje temos ciência dos efeitos de jornadas prolongadas em nossa saúde mental. O desgaste que acompanha uma rotina dominada pelo trabalho pode ser acompanhado por quadros de depressão e ansiedade; sentimento de estar desligado da realidade; desinteresse por atividades antes prazerosas; pode levar à Síndrome de Burnout, com consequências devastadoras, incluindo tentativas de suicídio.
Outro aspecto importante diz respeito à sensação de não ter tempo para a vida além do trabalho. A frase comumente empregada “passo mais tempo no trabalho do que em casa” demonstra o sentimento de que o emprego está nos afastando do convívio familiar e das experiências que podemos ter junto aos nossos.
Acrescente-se que, para muitos de nós, o período em que estamos no emprego é o mesmo em que se encontram disponíveis boa parte dos serviços, criando dificuldades frente a tarefas simples como levar um automóvel ao mecânico. Já não vivemos mais uma realidade social e familiar na qual sempre havia alguém em casa para receber, por exemplo, o técnico responsável pela Internet. Com jornada reduzida, torna-se menos difícil resolver questões simples como essa.
Além desses pontos, que já são suficientemente importantes para mantermos a mobilização pela redução da jornada, há um aspecto relativo à luta contra a exploração econômica da classe trabalhadora.
Parte do tempo que você trabalha é necessário para gerar a “riqueza” ou o “recurso” que pagará seu salário. O restante do tempo trabalhado entra na composição da denominada mais-valia, principal componente do lucro. Isso quer dizer que trabalhamos muito mais do que o necessário para recebermos o que nos é pago.
Esse é o principal motivo pelo qual há resistência do patronato em relação às lutas por redução de jornada. O tempo é considerado um “capital” precioso e ampliar ao máximo suportável o tempo do trabalhador e da trabalhadora na labuta é ampliar ganhos.
Reduzir a apropriação de nosso tempo por parte do capital é um passo revolucionário na luta de trabalhadores e trabalhadoras. Não à toa, as lutas pelo estabelecimento da jornada de 8 horas diárias foram longas, árduas e sangrentas.
Temos nas mãos a oportunidade de uma vitória histórica. Não podemos cair no erro de desmobilizar. É ano eleitoral e isso pode ser utilizado a favor os trabalhadores e trabalhadoras, desde que não se desmobilize em prol da eterna necessidade de se batalhar pela vitória de candidaturas progressistas. Essas são importantes, sem dúvida, mas antes precisamos aproveitar a oportunidade para uma conquista que melhorará as condições de vida de todos e todas.
Luiz Bosco Sardinha Machado Júnior
Psicólogo e professor univesitário
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