Lula endurece discurso contra defensores do Banco Master: “Falta vergonha na cara”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o tom nesta sexta-feira (23) ao comentar o caso envolvendo o Banco Master e as investigações sobre irregularidades financeiras que resultaram na liquidação da instituição. Sem citar nominalmente o empresário Daniel Vorcaro, Lula afirmou que há pessoas que o defendem “por falta de vergonha na cara”.

A declaração foi feita durante cerimônia de entrega de 1,3 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, em Maceió (AL). Ao discursar sobre as dificuldades enfrentadas pela população de baixa renda, o presidente comparou a realidade dos mais pobres ao que classificou como um grande desfalque envolvendo o banco.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país”, afirmou Lula.

Na sequência, o presidente voltou a criticar os defensores do empresário. “Tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”, completou.

Impacto no sistema financeiro

A fala do presidente está relacionada ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores que compraram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. O fundo não utiliza recursos diretos do governo federal, sendo mantido por contribuições de instituições financeiras privadas e públicas.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a Caixa Econômica Federal responde por cerca de um terço da capitalização do FGC, o que amplia os impactos do caso também sobre bancos públicos.

Avanço das investigações

As investigações envolvendo o Banco Master avançaram nas últimas semanas e revelaram uma rede de operações financeiras consideradas irregulares. Nesta sexta-feira, a Polícia Federal realizou buscas contra o presidente e diretores do Rioprevidência, o regime próprio de previdência do Estado do Rio de Janeiro, em mais um desdobramento do caso.

O Rioprevidência informou ter realizado, nos últimos anos, aportes de aproximadamente R$ 1 bilhão em fundos ligados ao conglomerado de Daniel Vorcaro. Para a Polícia Federal, essas operações “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”, comprometendo recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos e seus dependentes.

Origem do caso

As apurações tiveram início em 2024, após o Banco Central identificar irregularidades e comunicar o Ministério Público Federal. Entre os problemas apontados estão a emissão de títulos de crédito sem lastro, como CDBs com promessa de rendimento de até 40% acima da taxa básica de mercado.

Em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero resultou na prisão de Daniel Vorcaro e de outros executivos e na decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, encerrando oficialmente as atividades da instituição.

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Editor Ourinhos Online