CPI do Crime Organizado aprova convocação de Campos Neto, Castro e Ibaneis, além da quebra de sigilo de Zettel
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, além dos governadores Cláudio Castro e Ibaneis Rocha. Os parlamentares também autorizaram a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fabiano Campos Zettel.
Campos Neto deverá ser ouvido na condição de “testemunha qualificada”, em razão da experiência acumulada durante o período em que comandou o Banco Central do Brasil.
Segundo a justificativa aprovada pela CPI, o depoimento do ex-presidente poderá contribuir para esclarecer os critérios utilizados pelo Banco Central para autorizar a entrada de novos controladores no sistema financeiro nacional. Os parlamentares também pretendem obter informações sobre os mecanismos de supervisão permanente exercidos pela autarquia sobre as instituições financeiras em funcionamento.
A comissão sustenta ainda que a experiência de Campos Neto pode ajudar a identificar falhas regulatórias e apontar possíveis mudanças institucionais para dificultar a infiltração de organizações criminosas no sistema financeiro brasileiro.
Durante a justificativa para a convocação, o relator da CPI, deputado Delegado Fábio Vieira, citou o empresário Daniel Vorcaro e o caso envolvendo o Banco Master.
De acordo com a CPI, investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero apontaram indícios de que integrantes da organização investigada teriam utilizado servidores do próprio Banco Central para defender interesses dentro da autarquia.
Entre os nomes citados estão Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandou a Diretoria de Fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, e Bellini Santana. Segundo a Polícia Federal, ambos teriam atuado, paralelamente às funções oficiais, como interlocutores dos interesses do Banco Master dentro da instituição.
As investigações também indicam que Neves de Souza e Bellini fariam parte de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, apontado pela PF como uma espécie de “milícia digital” ligada a Vorcaro. Os dois servidores acabaram afastados durante a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central.
Quebra de sigilo de Zettel
O pedido de quebra de sigilo de Fabiano Campos Zettel foi apresentado pelo senador e deputado licenciado Humberto Costa. Para o parlamentar, a medida é necessária diante de “indícios consistentes” de utilização do sistema financeiro para práticas ilícitas, especialmente lavagem de dinheiro e possível atuação de organizações criminosas.
Costa argumenta que Zettel tem ligação familiar com Daniel Vorcaro e que suas conexões financeiras estão sendo apuradas no âmbito da Operação Carbono Oculto.
Segundo o parlamentar, as investigações revelaram uma rede de relações financeiras envolvendo fundos de investimento ligados a Zettel, como o fundo Arleen, a REAG Investimentos e o Banco Master. A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para a circulação e ocultação de recursos de origem ilícita.
Para a CPI, a quebra dos sigilos bancário e fiscal é considerada fundamental para rastrear a movimentação de recursos entre os envolvidos e identificar possíveis beneficiários finais. Os integrantes da comissão defendem que a medida é necessária para preservar a integridade do sistema financeiro nacional e impedir que práticas criminosas permaneçam fora do alcance das instituições de controle.
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