Deputada acusa secretário de Educação de usar risco de abuso para barrar apoio a alunos autistas

A deputada estadual Andréa Werner (PSB) afirmou que o secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, usou o argumento de possível abuso sexual para justificar a proibição de acompanhantes terapêuticos nas escolas estaduais.

Segundo a parlamentar, durante uma reunião em outubro do ano passado, o secretário teria questionado:
“E se o acompanhante terapêutico de um aluno autista ‘comer’ uma aluna na escola?”

Andréa disse que ficou chocada com a fala. Ela contou que estava tentando incluir, em um decreto do governo, a autorização para que alunos autistas pudessem ter acompanhantes dentro da escola, ajudando no dia a dia das aulas e na convivência escolar.

A deputada é mãe de um adolescente autista de 15 anos e afirma que seu filho não recebe o suporte necessário na escola estadual onde estuda. Além disso, segundo ela, a família foi impedida de levar um acompanhante particular para auxiliá-lo.

“Não faz sentido usar esse argumento. Se acontecer algum crime, existe a lei para punir. Não se pode negar um direito por medo de algo que pode nem acontecer”, afirmou a deputada.

Secretaria nega a fala

Em nota, a Secretaria da Educação negou que o secretário tenha usado o termo citado pela deputada. A pasta informou que Renato Feder recebeu Andréa para discutir melhorias na educação inclusiva e sugeriu mudanças no texto do projeto para aumentar a segurança dos alunos.

Segundo a secretaria, o texto final prevê que, se houver suspeita de violência ou crime envolvendo um acompanhante, a escola deve avisar a família e as autoridades, podendo afastar o profissional imediatamente.

O governo do Estado também informou que mantém cerca de 8 mil profissionais de apoio para atender alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual e outras deficiências na rede estadual.

Deputada vai à Justiça

A deputada Andréa Werner afirmou na Assembleia Legislativa que está processando o governo de São Paulo por não garantir a inclusão adequada de seu filho na escola pública.

Ela defende que alunos autistas tenham o direito de contar com acompanhantes terapêuticos, quando necessário, para garantir aprendizado, segurança e dignidade.

O caso reacende o debate sobre a falta de estrutura e de profissionais preparados para atender estudantes com deficiência nas escolas públicas do Estado.

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Editor Ourinhos Online