PF investiga rede de influenciadores ligada a políticos, banqueiro e empresas de apostas
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar uma suposta rede organizada de influenciadores digitais e sites que teriam sido usados para disseminar desinformação e promover ataques coordenados a instituições como o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal (STF), além de impulsionar politicamente nomes ligados à extrema direita.
Segundo relatório preliminar que embasou a abertura do procedimento, a estrutura envolve agências de marketing digital, portais de notícias, influenciadores e empresas de apostas on-line. No centro da investigação aparece a agência Qualimedia Digital Intelligence, que atua no mercado de auditoria de audiência e planejamento estratégico e tem em seu portfólio clientes como UOL, Metrô de São Paulo e Instituto Ayrton Senna.
A Qualimedia seria sócia da agência Eleven, responsável por administrar ou subcontratar perfis populares nas redes sociais, como @alfinetei, @futrikei, @garotxsdoblog e @otariano, além de sites como Bacci Notícias, Portal Babados, Lugar da Fama e Planeta Jovem.
Ataques ao Banco Central e ao STF
De acordo com os investigadores, entre os dias 28 e 29 de dezembro de 2025 esses perfis participaram de uma ação coordenada chamada internamente de “Projeto DV”, em referência ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As postagens atacavam a liquidação da instituição financeira, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o diretor de normas do Banco Central, Renato Gomes, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Os conteúdos também levantavam suspeitas contra o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, apontado como suposto articulador da liquidação do banco.
Conteúdo político direcionado
O relatório aponta ainda que os mesmos perfis passaram a publicar conteúdos elogiosos ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacando ações na área de infraestrutura, segurança pública e redução do IPVA. Também teriam impulsionado críticas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) à Caixa Econômica Federal e divulgado atos políticos em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, as contas teriam sido usadas para promover a possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Somados, os perfis envolvidos ultrapassam 70 milhões de seguidores, segundo a PF.
Esquema financeiro
A investigação também apura a atuação de empresas de apostas on-line como financiadoras das postagens. Entre elas estariam a 7GamesBet, ligada a um empresário apontado como próximo ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), e a VaiDeBet, associada ao cantor Gusttavo Lima. Uma terceira empresa citada é a ZeroUm.Bet.
Cinco agências de marketing aparecem sob investigação: MiThi, Portal GroupBR, Grupo Farol, Deu Buzz e Mynd8.
Risco de nova prisão
Caso seja comprovado que Daniel Vorcaro financiou a campanha digital contra autoridades para interferir em investigações ou decisões judiciais, ele poderá voltar à prisão preventiva por obstrução de Justiça. A PF analisa conexões financeiras entre fundos de investimento, empresas de mídia digital e as postagens publicadas.
Os investigadores também elaboraram mapas do chamado “ecossistema digital”, apontando ligações entre influenciadores, agências de marketing e empresas de apostas responsáveis pelo custeio das campanhas.
A Polícia Federal informou que as informações ainda são preliminares e baseadas em dados de fontes abertas (OSINT), e que o material será aprofundado ao longo do inquérito.
Com informações do ICL Notícias.
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