Possível “laranja” do “Careca do INSS” é de Bernardino de Campos e movimentou R$ 371 milhões em 2025
Um jovem de apenas 25 anos, morador de Bernardino de Campos, interior de São Paulo, é apontado como possível “laranja” em um dos maiores esquemas de fraude contra aposentados já investigados no país. Segundo reportagem do site Metrópoles e informações da CPMI do INSS, a empresa Spyder Consultoria e Intermediação, registrada em nome de João Vitor da Silva, movimentou mais de R$ 371,4 milhões apenas nos primeiros seis meses de 2025.
A empresa não possui site, sede própria nem redes sociais, e foi criada poucas semanas antes de começar a movimentar valores milionários — o que chamou a atenção dos investigadores. No papel, João Vitor aparece como proprietário da consultoria, mas trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma empresa de laticínios da cidade.
Procurado pela reportagem do Metrópoles, ele não respondeu se é, de fato, o dono da empresa. Consta ainda que, no fim de 2020, João Vitor recebeu o auxílio emergencial do governo federal, benefício destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade durante a pandemia.
Ligação com o “Careca do INSS”
A Spyder passou a ser investigada após receber recursos da empresa Dinar S/A Participações, usada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema.
As investigações indicam que empresas de fachada eram usadas para desviar recursos ligados a descontos irregulares aplicados em aposentadorias e pensões, prejudicando milhares de idosos em todo o país.
Esquema começou no governo Temer e cresceu no governo Bolsonaro
De acordo com os dados levantados pela CPMI do INSS, o esquema teve início ainda durante o governo Michel Temer, quando mudanças administrativas facilitaram a atuação de intermediários privados sobre benefícios previdenciários.
Durante o governo Jair Bolsonaro, o esquema não apenas continuou como se intensificou, com crescimento expressivo dos desvios e ampliação da rede de empresas suspeitas.
Apesar das denúncias e alertas feitos por órgãos de controle e pela imprensa, as investigações só avançaram de forma efetiva no atual governo.
PF só teve liberdade para investigar no governo Lula
Foi no governo Lula que a Polícia Federal passou a ter autonomia para aprofundar as apurações, quebrar sigilos bancários e fiscais e identificar os responsáveis pelo esquema. A criação da CPMI do INSS permitiu rastrear empresas fantasmas, operadores financeiros e possíveis laranjas usados para ocultar os verdadeiros beneficiários do dinheiro desviado.
A investigação segue em andamento e pode resultar em novos pedidos de prisão, bloqueio de bens e responsabilização criminal dos envolvidos.
O caso reacende o debate sobre a proteção dos aposentados e pensionistas, que foram as principais vítimas do esquema, tendo valores descontados indevidamente de seus benefícios ao longo de anos.
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