CPMI dos atos golpistas: Soraya Thronicke critica abandono de apoiadores do bolsonarismo e expõe atuação do agronegócio
Durante sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) fez duras críticas ao empresariado que financiou movimentos antidemocráticos e ao que classificou como abandono dessas pessoas por lideranças políticas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O principal alvo do discurso foi o empresário Argino Bedin, de 73 anos, conhecido como o “Pai da Soja”, figura histórica do agronegócio brasileiro. Bedin permaneceu em silêncio durante a fala da senadora, que não se limitou a questionamentos jurídicos, mas traçou uma análise política e social sobre o papel de empresários no financiamento do bolsonarismo.
Soraya resgatou a trajetória da família Bedin, migrantes gaúchos que se estabeleceram no Mato Grosso e construíram patrimônio ao longo de décadas. Segundo a senadora, o sucesso econômico do empresário atravessou diferentes governos — de Geisel a Temer — e não pode ser atribuído exclusivamente à gestão Bolsonaro.
“Dizer que o agronegócio só prosperou após Bolsonaro não corresponde à realidade”, afirmou Soraya, destacando que o crescimento do setor é resultado de trabalho contínuo e políticas públicas acumuladas ao longo do tempo.
Ao questionar as motivações que levaram Bedin a financiar atos antidemocráticos, a senadora apontou o que chamou de “medo fabricado”, alimentado por campanhas de desinformação. Entre os temores citados estavam a possibilidade de confisco de terras, fechamento de igrejas e outras narrativas falsas amplamente disseminadas nas redes sociais.
Soraya afirmou que esse ambiente de fake news levou muitos empresários a agirem movidos por medo e não por fatos concretos, mencionando o conceito de dissonância cognitiva para explicar a adesão a discursos extremistas.
Um dos momentos mais contundentes da fala foi quando a senadora abordou o isolamento enfrentado por financiadores investigados. Segundo ela, enquanto empresários como Bedin enfrentam riscos jurídicos e patrimoniais, lideranças políticas e militares envolvidas nos acontecimentos permanecem protegidas.
“O senhor está servindo de bode expiatório”, declarou Soraya, afirmando que os verdadeiros articuladores do movimento não estão arcando com as consequências.
A senadora também citou a arrecadação milionária feita por Jair Bolsonaro por meio de doações via Pix, que ultrapassaram R$ 17 milhões. Segundo Soraya, os recursos não foram utilizados para auxiliar apoiadores presos ou investigados, mas investidos pelo ex-presidente.
Encerrando sua fala, Soraya Thronicke fez um alerta direto sobre o rigor das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal, afirmando que não haverá complacência com os envolvidos nos atos antidemocráticos.
Com informações da Mídia Ninja.
Apoie o Ourinhos.Online⬇️
https://apoia.se/ourinhosonline
