TRUMP DEMONSTRA FRAQUEZA COM O ATAQUE À VENEZUELA Rodolfo Fiorucci
Poucas vezes na história um ato de violência e agressão é sinal de força; na maioria dos casos é demonstração de covardia e fraqueza. Esse é o caso do ataque dos EUA, comandado por Trump, na Venezuela, que culminou no sequestro do presidente venezuelano e sua esposa, à revelia de qualquer tribunal ou julgamento internacional.
Trump foi tanto fraco quanto covarde. Sua fraqueza advém de seu declínio internacional e nacional. Na esfera externa, a derrota econômica para a China é um fato consumado e o impacto negativo do tarifaço pelo mundo corroeu a confiança política e econômica das nações frente aos EUA. Militarmente, não pode derrotar a Rússia e abandonou a Ucrânia à própria sorte, ao passo que fantasiou um ataque ao Irã que, para quem acompanha a geopolítica internacional, foi demonstração de imperícia e de fragilidade de seu aliado israelense no oriente Médio. No plano interno, Trump vê sua popularidade cair, perde suporte de setores importantes que o apoiaram na reeleição, seu tarifaço elevou o custo dos alimentos, seus cortes aos programas de saúde jogaram milhões na insegurança e a miséria atinge 40 milhões de cidadãos norte-americanos. Ademais, a revelação de seu envolvimento no caso Epstein, numa rede de exploração sexual de crianças e sua condenação por abuso sexual contra uma jornalista, expõem o caráter dessa figura que derrete na opinião pública.
Sua covardia é demonstrada ao atacar um país incapaz de se defender. Já que não pode fazer frente à Rússia e China, em ato de desespero ataca um país vizinho, sequestra seu presidente e assume, sem nenhum pudor, que seu alvo é o controle das reservas de petróleo venezuelano – que são as maiores do mundo. O império agoniza e seu líder acelera a decomposição da força política internacional dos EUA. O desespero do fraco é a violência.
Já que os EUA não podem mais dominar o mundo, voltam suas garras para o que consideram o seu quintal: a América Latina. Recuam estrategicamente e focam sua sanha por poder e riqueza nos bens, povos e recursos naturais latino-americanos. Abrem mão do soft power e adotam o hard power, ou seja, a violência armada e a imposição da vontade do mais forte sobre o mais fraco. Ainda é impossível saber o que vai acontecer na Venezuela, mas meu conselho é desconsiderar a cobertura da mídia ocidental, uníssona no discurso pró-Trump e numa fantasiosa cobertura que especula uma comemoração massiva do povo bolivariano da Venezuela. Há muito o que acontecer, ainda…
Que as nações abaixo dos EUA na América fiquem bem atentas. Trump deu o recado: podemos e vamos invadir qualquer país que contrarie nossas vontades. Há dois caminhos para isso, a manipulação de eleições feita pelos EUA e o boicote à soberania nacional feita por figuras antinacionalistas que atacam a própria nação e povo por interesses pessoais – como demonstrou a família Bolsonaro e seus asseclas no congresso nacional -, ou a invasão covarde, violenta e armada. Cabe às nações se unirem para resistir a um adversário muito mais forte. Ou é isso, ou é a recolonização 4.0 da América Latina na reedição da Doutrina Monroe – que diz que a América é dos americanos.
Aos que se regozijam com esse ato de violência sem precedentes, como se isso fosse uma recompensa ideológica para os magoados, apenas lamento a falta de capacidade analítica. Quanto a Maduro, não nutro nenhuma admiração pessoal, mas ele é líder de um país e as contendas internas desse país cabem ser resolvidas pelo seu povo, asseguradas sua soberania. Se aplaudirmos isso no vizinho, abrimos precedentes para intervenção armada de uma nação externa sempre que essa se sentir incomodada com a autodeclaração das vontades dos povos em sua soberania nacional.
Apoie o Ourinhos.Online⬇️
https://apoia.se/ourinhosonline
