Centrão em crise: ações da PF atingem líderes do União Brasil em ao menos sete estados
O ano de 2025 tem sido marcado por uma série de desgastes para o União Brasil, que passou a ocupar o centro de diversas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Apurações envolvendo desvio de emendas parlamentares, uso de fundos de previdência e supostas ligações com esquemas criminosos atingem diretamente dirigentes e aliados da sigla em diferentes regiões do país.
Um dos casos mais recentes envolve o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, que foi preso sob suspeita de ter vazado informações sigilosas de uma operação da PF contra o deputado estadual TH Joias (MDB). A ofensiva ocorreu no âmbito da operação “Unha e Carne”, que aprofundou o desgaste do partido especialmente no Rio de Janeiro, onde Bacellar também preside o diretório estadual da sigla.
Na esfera nacional, o presidente do partido, Antonio Rueda, embora não figure formalmente como investigado, teve seu nome citado em procedimentos relacionados às operações “Carbono Oculto” e “Poço de Lobato”, que apuram fraudes e sonegação fiscal no setor de combustíveis. Ele também aparece associado a apurações sobre fraude fiscal e tráfico de drogas, após um piloto de aeronaves relatar à PF que aviões utilizados por uma facção criminosa pertenceriam, de fato, a Rueda. O dirigente nega as acusações.
As investigações também alcançam o escândalo envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central do Brasil após suspeitas de gestão fraudulenta. A operação “Compliance Zero” resultou na prisão de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição. Fundos de previdência estaduais, como o Rioprevidência, no Rio de Janeiro, foram apontados como grandes compradores de papéis do banco, sob responsabilidade de Deivis Antunes, aliado do União Brasil no estado.
Casos semelhantes foram identificados em outros estados. No Amapá, o instituto de previdência foi comandado por Jocildo Lemos, enquanto no Amazonas as autorizações partiram de Ary Renato Vasconcelos. Ambos são ligados ao partido e negam práticas ilegais.
A crise também atinge a bancada na Câmara. O deputado Elmar Nascimento (BA), ex-líder da legenda, foi citado em investigação sobre o desvio de emendas destinadas ao município de Campo Formoso. Seu sucessor na liderança, Pedro Lucas Fernandes (MA), aparece em apuração sobre recursos enviados à prefeitura de Arari (MA). Fernandes afirmou que a responsabilidade pela prestação de contas é do município.
Em outros estados, os casos se multiplicam. Em Alagoas, Luciano Cavalcante, presidente do diretório estadual, foi investigado por supostas irregularidades na compra de kits de robótica com verbas do chamado “orçamento secreto”. Já em Sergipe, o ex-deputado André Moura firmou acordo de não persecução penal com o Supremo Tribunal Federal após acusação de desvio de recursos públicos na prefeitura de Pirambu.
Paralelamente às investigações, a relação do União Brasil com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se deteriorou ao longo do ano. Em resposta ao cenário de tensão, a direção partidária determinou que seus filiados entregassem cargos ocupados na administração federal.
O acúmulo de escândalos e a multiplicidade de frentes de apuração colocam o União Brasil no centro de uma das maiores crises de sua história recente, abalando a imagem do partido e ampliando as incertezas sobre seu futuro político.
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