Zootopia 2: novos caminhos, velhas tensões e a força da convivência – Por Bruno Yashinishi
Zootopia 2 retorna ao universo vibrante da cidade onde predadores e presas convivem em relativo equilíbrio, mas sem abrir mão das tensões que sempre permeiam essa sociedade tão diversa. A continuação aposta em uma história mais ampla, que revisita o passado do lugar e introduz novos grupos, ao mesmo tempo em que mantém o foco emocional na dupla que conquistou o público: a coelha Judy Hopps e a raposa Nick Wilde.
A relação entre os dois segue sendo o motor da narrativa. Judy continua determinada, inquieta e guiada por um senso firme de responsabilidade; Nick permanece mais cauteloso, observador e, como sempre, pronto para fazer um comentário espirituoso. O filme trabalha bem o atrito natural entre suas personalidades — um atrito que não enfraquece o vínculo, mas o aprofunda. É interessante ver como o roteiro reconhece que amizades sólidas também são feitas de desacordos, ajustes e vulnerabilidades.
A principal novidade desta sequência está na participação da serpente Gary e da comunidade reptiliana. Gary surge como um personagem envolvente, tanto pela postura desconfiada quanto pela sensação constante de deslocamento. Ele representa um grupo que viveu à margem da cidade, quase esquecido sob camadas de história e expansão urbana. A presença de serpentes, lagartos e camaleões introduz uma perspectiva que amplia o olhar sobre Zootopia, reforçando temas de exclusão, pertença e memória coletiva.
A história também reserva espaço para a castora, cuja participação adiciona ritmo e humor à trama. Seu jeito prático e sua energia constante trazem leveza a algumas cenas mais densas, ajudando a equilibrar o enredo sem desviar do tom principal.
Apesar da quantidade de elementos novos — tradições escondidas, injustiças antigas e alianças improváveis —, o filme encontra momentos de grande sensibilidade. Visualmente, a animação permanece um espetáculo, especialmente nas cenas ambientadas nas áreas onde os répteis vivem. A fluidez dos movimentos da serpente e os ambientes subterrâneos cheios de textura são alguns dos destaques.
O clímax, apoiado em um confronto que envolve política, história e coragem, reafirma a mensagem essencial do filme: reparar o passado não é apenas necessário, mas possível quando há disposição para ouvir quem foi silenciado. A reintegração dos répteis à cidade funciona como imagem simbólica e comovente, mesmo que alguns aspectos dessa jornada pudessem ter mais tempo para respirar.
No epílogo, quando a coelha e a raposa se reencontram, o filme reencontra também seu próprio coração. Há algo de muito bonito na simplicidade desse momento — uma afirmação de que as relações mais fortes sobrevivem aos tropeços, às diferenças e às dúvidas.
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